Outubro rosa e o impacto da biotecnologia

O mês de outubro é marcado mundialmente pela realização de uma campanha anual que tem por objetivo chamar a atenção da sociedade acerca da importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. O diagnóstico do câncer de mama em estágios iniciais é benéfico pois evita que o paciente enfrente níveis críticos da doença além de apresentar um custo menor em relação ao tratamento em estágios avançados. A biotecnologia possibilita a realização de diagnósticos com maior rapidez e tratamentos com maior eficácia.

O diagnóstico molecular é realizado através da utilização de técnicas de biologia molecular para analisar as moléculas presentes no material biológico de um indivíduo. Essa forma de diagnóstico permite a detecção de agentes potencialmente patogênicos no organismo e de alterações moleculares relacionadas à diferentes tipos de câncer. A detecção pode ser feita quando os marcadores para uma determinada doença estão bem descritos. Além de fornecer informações personalizadas do diagnóstico aos pacientes, os testes permitem traçar planos de tratamento com maior especificidade para evitar a resistência, ausência de resposta e toxicidade. Por exemplo, alguns testes moleculares fornecem prognósticos do câncer nos estágios iniciais, apontando a real necessidade de um tratamento precoce agressivo. Os tipos de analises moleculares em utilização compreendem métodos que avaliam a expressão de receptores hormonais e proteínas, métodos séricos e métodos que analisam o perfil da expressão gênica do indivíduo. Entre os testes que visam a análise da expressão gênica destacam-se o MammaPrint e Oncotype DX. O MammaPrint verifica a expressão de mais de 70 genes distintos com o objetivo de determinar se o câncer pode ser suscetível de metástases após o tratamento inicial. Já o Oncotype DX analisa 21 genes distintos e aplica os resultados em uma fórmula que produz uma pontuação de 0 a 100, indicando informações como as chances de reincidência do câncer em um período de 10 anos e se um tratamento quimioterápico pode trazer benefícios.

O impacto da biotecnologia no câncer de mama se mostra positivo por aumentar as chances de novos tratamentos de menor impacto na qualidade de vida dos pacientes se tornarem realidade. Recentemente, pesquisadores da Universidade de Northeastrern e do Hospital Infantil de Boston conseguiram suprimir o crescimento de um câncer de mama triplo negativo (tipo de câncer mais agressivo e com o pior prognóstico) em ratos através de um sistema CRISPR encapsulado em um nanolipogel. Apesar de requerer muitas investigações para aplicação terapêutica, o sistema se mostra promissor para se tornar um medicamento preciso contra o câncer de mama, principalmente por não representar qualquer toxicidade para os tecidos normais. 

A imunoterapia apresenta-se como uma forma de tratamento atual e promissora para o tratamento do câncer de mama. Basicamente, trata-se de uma terapia biológica que dá suporte para o sistema imunológico do indivíduo atacar as células cancerígenas. O ano de 2019 foi marcado pela liberação de um imunoterápico para o tratamento do câncer de mama. O  atezolizumabe (Tecentriq), corresponde a um anticorpo anti-PD-L1 que combinado com a quimioterapia trata o câncer de mama triplo negativo em pacientes cujos tumores expressam a proteína PD-L1. A imunoterapia ainda representa uma alternativa de tratamento que enfrenta desafios como os efeitos colaterais e o alto custo. A pesquisa biotecnológica aliada a novos ensaios clínicos pode vir a resolver estes desafios tornando o tratamento uma alternativa padronizada e acessível a todos. 

A bioinformática, aliando as ferramentas computacionais para a análise das incontáveis informações genômicas já obtidas, traz à tona novas perspectivas para aprimoração dos modelos de pesquisa de combate ao câncer. A exemplo disso, cientistas da Michigan State University (MSU) descobriram diferenças substanciais entre as linhagens celulares de câncer de mama criadas em laboratório e amostras reais de tumores avançados ou metastáticos analisando integralmente dados genômicos de diferentes bancos de dados. 

Em suma, a biotecnologia e suas área de pesquisa em expansão se mostram cruciais para o desenvolvimento de terapias certeiras e totalmente direcionadas à melhora da qualidade de vida dos pacientes com câncer de mama. 

Texto produzido por Jaqueline Riewe Deifeld, graduanda em biotecnologia na Universidade Federal do Pampa.

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