Biotecnologia Cinza: conhecimento em prol da natureza

A Biotecnologia é uma ciência que se propõe a usar os conhecimentos vindos de processos biológicos com o objetivo principal de resolver questões da humanidade e, com essas informações, criar produtos viáveis e úteis para a mesma. Considerando o ponto levantado, é importante destacar os problemas relacionados ao meio ambiente e a forma com a qual a Biotecnologia se relaciona com estes.

Nesse contexto, a Biotecnologia Cinza contribui para a preservação e cuidados com o meio ambiente, assim como sua variedade biológica, sendo a biodiversidade genética a mais explorada e desenvolvida pela Biotecnologia Cinza. Com isso, se torna possível a construção de bancos de materiais genéticos e, utilizando essas informações, o manejo e conservação da diversidade biológica de ecossistemas diversos, assim como a determinação da caracterização genética e biomolecular dos seres que habitam nos mesmos.

Uma estratégia relevante desenvolvida por essa área é a chamada biorremediação, que melhor se define como: “a utilização de seres biológicos com a finalidade de reduzir ou remover algum elemento tóxico do ambiente”. Nos locais contaminados com, por exemplo, metais pesados, agrotóxicos, hidrocarbonetos, podem ser encontrados microrganismos como fungos e bactérias, eficientes por possuírem alto potencial de ação e recuperação destes ambientes. Além disso, a Biotecnologia Cinza se utiliza de processos vindos da Biologia para o tratamento de águas residuais e reaproveitamento de lixo, além de saneamento dos solos.

Considerando a importância do equilíbrio no meio ambiente, a Biotecnologia Ambiental se desenvolveu como uma possibilidade de atuação muito precisa e eficaz a fim de sanar questões relacionadas a esse tópico, principalmente no que tange à degradação. Sendo assim, essa ferramenta pode atuar de três maneiras: prevenindo, monitorando e restaurando. O primeiro ponto se refere à utilização de Organismos Geneticamente Modificados associados a conhecimentos específicos dessa área, como manejo de risco e gerenciamento de impacto, com a finalidade principal de prevenir possíveis problemas ambientais. Já em relação ao segundo ponto, evidencia-se a viabilidade da utilização de biossensores, bioindicadores e biofilmes, que são abordagens aptas na vigilância e controle do meio ambiente. E, por último, o terceiro se remete à utilização de biorremediação e biodegradação, procedimentos mais qualificados para esse objetivo.

Ademais, também deve-se ressaltar que a Biotecnologia Ambiental cuida, inclusive, de questões envolvendo legislação, normas, economia e sociedade, além das técnico e científico já abordadas. Sendo assim, considera-se, então, como uma ciência multidisciplinar que engloba biologia, química, engenharia e direito. Diversas empresas brasileiras trabalham em prol da manutenção do meio ambiente, visando sempre reduzir os impactos causados pelo ser humano (ou até mesmo impactos naturais que causem danos) por meio de ferramentas biotecnológicas, desde o uso de microrganismos até a manipulação de tecidos vegetais. Listamos abaixo empresas  biotecnológicas de atuação nacional que estão envolvidas na solução de problemas ambientais através da sustentabilidade e biotecnologia:

Impacto ProblemáticaEmpresas
Petróleo
Sua composição afeta de maneira agressiva a natureza, principalmente o ecossistema marinho. Um grande exemplo é o derramamento em 2019 que assolou várias costas ao redor do globo, inclusive no Brasil, perturbando consideravelmente a vida marinha.A Biosolvit é uma empresa responsável pelo estudo e produção de materiais feitos à base de fibras vegetais, que posteriormente são utilizados na remediação de acidentes ambientais causados por petróleo e derivados.
Minérios
De forma geral, a mineração possui um histórico relevante de impacto ambiental, causando poluição tanto do ar como do solo. Tais processos podem se tornar mais agravantes, levando a alterações ambientais significativas. A Itatijuca Biotech é uma startup biotecnológica que possui um processo de recuperação de minérios sem gerar resíduos à natureza através do emprego de bactérias na biolixiviação.
Reagentes QuímicosRegularmente, muitas indústrias, principalmente o setor agroindustrial, despejam efluentes altamente nitrogenados nos rios, o que afeta em demasia a vida aquática. A eutrofização causado por essa contaminação, causa uma disbiose no ambiente e leva a morte de espéciesA Embrapa, empresa pública de pesquisa, financia o projeto BiogásFert, que testou e comprovou a utilização de bactérias com atividade ANAMMOX. Esse processo retira naturalmente o excesso de componentes nitrogenados do meio aquático com baixo custo.
Aterros Sanitários Apesar de serem um possível destino final do lixo gerado, os aterros sanitários são responsáveis por emissões que agravam o efeito estufa, possível contaminação de lençóis freáticos através do chorume e geração de resíduos sólidos (lodo).Como alternativa de tratamento do chorume e remediação de áreas contaminadas, a SuperBac conta com uma gama de microrganismos que consomem compostos específicos do lixo.

Autores: Isabella Bomfiglio e Laura Piloneto Lima Hoefel (polo UFRGS), Joyce Marinho Melo e Thayssa de Souza Remedios (polo UFAM)
Edição: Bruno Pereira e Lina Gress | Secretaria de Comunicação da LiNAbiotec

Você pode consultar as referências aqui.


Biotecnologista e com Orgulho

Encerrando as publicações do mês da biotecnologia, nós não poderíamos deixar de falar de outra comemoração especial. O mês de junho também é o mês do orgulho LGBTQIA+. Um movimento que nasceu no dia 28 de junho de 1969, em Nova Iorque. Esse episódio é conhecido como Rebelião de Stonewall. Stonewall In foi um bar em Manhattan, onde aconteceram motins pela libertação do povo LGBT. Na época, poucos estabelecimentos aceitavam a presença de pessoas LGBT e o Stonewall era um desses lugares. Nas primeiras horas do dia 28, a polícia invadiu o local, reprimindo violentamente os que lá estavam, o que gerou uma série de protestos, que dão origem ao que hoje conhecemos como comunidade LGBTQ+. Além desse contexto, não poderíamos ficar alheios às manifestações antirracistas que tomaram conta do mundo, tendo como estopim, esse ano, o assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos.  

Portanto, a LiNA foi buscar a história de alguém que traz um pouco dessa história e dessa representatividade em quem é e entrevistamos Ítalo Dorotheo.

Ítalo Neander Silva Dorotheo é biotecnologista, formado pela universidade federal de Goiás. Ítalo é de Morrinhos, interior estado de Goiás. Formado em 2019, Ítalo ingressou na universidade em 2015. Um homem negro e LGBT que passou por uma caminhada longa até chegar ao mercado de trabalho da biotecnologia.

LiNAbiotec: Conta um pouco de como você chegou na biotecnologia. Quais foram a suas primeiras impressões?

 Ítalo: Eu fiz uma pesquisa de mais ou menos 3 meses, estava em dúvida entre engenharia química, farmácia e biotecnologia, mas escolhi biotecnologia pela facilidade do acesso a uma pesquisa na área da saúde. Entrei meio confuso com essa realidade nova de matriz curricular, disciplina, mas com o tempo, eu fui me adaptando e hoje eu sou muito feliz com o curso que eu fiz e não me arrependo.

LiNAbiotec: Dentro da sua realidade, como era seu acesso à informação?

Ítalo: É um pouco complicado entrar nessa questão. Eu tinha sim alguns recursos, mas minha cultura não era essa de entrar em pesquisa científica. Meu ensino médio foi em uma escola pública, então tudo que tínhamos era muito básico de referência. Até minhas prioridades eram outras, já que eu não esperava passar numa universidade federal, mas aconteceu que deu certo e tudo acabou bem.


Esse relato corrobora o que nós já sabemos sobre as escolas públicas. Dentro desse recorte social, a realidade ainda é a de jovens que precisam fazer um esforço desigual para chegarem a ocupar esses espaços. Uma realidade não só em Goiás, mas no Brasil.


LiNAbiotec: Entrando em um campo mais delicado, que tipo de preconceitos você percebeu durante sua graduação?

Ítalo: Essa é uma coisa que eu sempre discuti. Nosso curso é muito elitizado. Quando você olha a turma que se forma, são 90% pessoas brancas, cis-héteros, que vem de classes mais privilegiadas, com uma condição financeira melhor, que vem de escolas particulares… Mesmo com as cotas, a gente se questiona sobre se são mesmo aqueles 50% de cotas para negros, pra alunos de escola pública… Uma coisa que eu sempre percebi era o racismo mais estrutural. No curso, parece que só quem se forma são aquelas pessoas que ganham um carro no primeiro ano de curso.

LiNAbiotec: Você citou o racismo estrutural… Você sofreu racismo?

Diretamente eu creio que não. Não o escancarado, pelo menos, mas passei por situações que me deixaram chateado. Quando por exemplo professores da biotecnologia falarem em palestras e fóruns de discussão que a qualidade da aula deles tinha decaído por conta dos aluns cotistas, por conta do público LGBT, do público negro. Professores que questionavam sobre as pessoas da escola pública que não tinham a bagagem teórica pra estar ali. Isso me deixou bastante chateado, eu me senti mal. Outro ponto foi uma ex-orientadora de TCC, que é uma pessoa muito privilegiada dentro da instituição, que mostra uma posição de mente progressista, desconstruída mas que é muito incoerente nas suas ações.

Cada um tem seu “corre” quando não tem um pai que tem condição de lhe mandar 5 mil reais por mês pra você se manter na cidade. E dentro das coisas que eu fazia pra sobreviver, trabalhando com festas, música, produção de arte pra poder sobreviver. Ela me questionava muito sobre isso, dizendo que meu estilo de vida não era de um universitário, que eu precisava estar no laboratório, que eu não ia conseguir me formar por conta desse estilo de vida. Além de todo esse terror psicológico, ela ainda era, como eu disse, incoerente, quando se gabava que os filhos iam viajar para um congresso, e quando eu mesmo viajei pra participar do NÚCLEO’17, ela me tirou do grupo do laboratório, porque eu tinha passado essa semana fora. Mas deu tudo certo e hoje eu tô aqui, formado e trabalhando na minha área, além de ser, aqui, um dos melhores alocados.

LiNAbiotec: E como você enxerga o público LGBT dentro da biotecnologia?

Eu acho a biotecnologia nesse quesito, muito diversificada. Mas acredito que quando se fala de sexualidade, ainda falta uma profundidade, pra discutir com seriedade. Seriedade mesmo, não só bater cabelo e dar close. Precisamos discutir entre os alunos mesmo, pontuar pesquisadores LGBT, não que seja um diferencial, mas trazer essa representatividade. Eu falo isso porque sempre que eu vejo algum homem negro, gay que não seja o padrão do que a sociedade vê como adequado, eu me solidarizo. Essas pessoas são alvos duas vezes sabe? Quando você está numa universidade, os professores são todos arcaicos, tradicionais. Eles tem um estilo de vida e desejam eu todos sigam um estilo como aqueles. Tenho professores machistas, abusadores, hipersexualizadores que vão trabalhando na nossa cabeça pra reforçar preconceitos contra o que nós somos

A única pessoa que era referência de pessoa preta pra mim era da minha turma. Foi a única pessoa que como eu era cotista, estudiosa. Ter essa pessoa foi importantíssimo pra mim porque era uma pessoa que parecia comigo. Quando a gente entra nesse mundo a gente vê um padrão em todo lugar, nos professores, entre os alunos e ter outra pessoa como eu foi um ponto muito crítico que me ajudou a me formar. Hoje ela é uma pessoa tão maravilhosa quanto sempre foi, já ganhou vários prêmios.

Quanto a ser LGBT eu acho que fui o primeiro queer dentro dali. O primeiro a andar com roupa feminina e fui apontado, muito questionado por isso, porque mais uma vez, eu estava fugindo do padrão. As pessoas diziam que eu tinha gosto por “lacrar” por falar coisas que chocam e não era isso, eu só estava tentando ser eu e eu não sou igual ao padrão.

LiNAbiotec: Mudando um pouco de assunto, qual a sua visão sobre o mercado de trabalho da biotecnologia?

Ítalo: Pro mercado de trabalho da biotecnologia, eu acho que ainda temos um longo caminho a percorrer. O mercado em si não é o que a gente costuma escutar, onde as melhores pessoas, mais bem capacitadas recebem as melhores colocações. Há muita indicação e influência. É aqui que entra a importância do networking. Trabalho já tem mais de um ano dentro de um laboratório de análise industrial, voltado para açúcar e álcool e só depois de um ano que eu começo a colher o reconhecimento profissional. Sou cotado pra ser o próximo líder do laboratório. Mas não é sobre isso. O mercado que a gente precisa ocupar é muito dominado por químicos, farmacêuticos, biomédicos, profissões que tem conselhos fortes e nós ainda não temos um conselho que brigue por nós, que fale como igual com esses empregadores.

Foi um conhecido meu que me falou da vaga, que já trabalhava na empresa, mas em outro setor. Ele trouxe meu currículo e eu passei por toda o processo seletivo. No mês que eu assinei meu contrato, eu estava prestes a assumir um posto numa escola profissionalizante, mas não me arrependo de ter vindo pra essa empresa. Acho que essa experiência vale muito pra se em algum momento eu voltar pra universidade pra fazer alguma outra pós-graduação. Hoje eu curso uma pós-graduação em processos químicos e farmacêuticos pra complementar minha formação e já me preparar para futuras oportunidades que possam surgir, porque no mercado, você precisa saber jogar e saber seguir o ritmo da música nessa vida no setor privado.

Acho também que os formados precisam começar a ocupar o mercado de trabalho, para abrir os caminhos para queles que ainda estão se formando.

LiNAbiotec: Qual o cargo que você ocupa e hoje? E você pode falar um pouco da sua empresa também?

Hoje eu sou analista de laboratório industrial, na Usina Caçú, uma empresa sucroalcooleira. Produzimos etanol e açúcar, esse açúcar para alimento e para uso como coadjuvante, na produção de asfalto. Nosso etanol é derivado da cana e do milho e derivado de milho a gente produz também ração animal. Exportamos também levedura seca. Na equipe somo eu, analista, mais um líder, um coordenador, um encarregado, um de cada turno. Somos 4 turnos. Nesse tipo de trabalho não é comum ter biotecnologistas trabalhando, já que estamos afastados das capitais e dos grandes centros de pesquisa. Mas é uma área que tem crescido muito para nós. Essa área é dominada por químicos e técnicos em química atuando dentro de um bioprocesso. E quem entende mais de bioprocessos que os profissionais da biotecnologia não é?

LiNAbiotec: Pra encerrar Ítalo, deixe uma mensagem de Orgulho, para todos os LGBT’s que querem fazer ciência no Brasil e uma mensagem a todos os pretos biotecnologistas do país.  

Eu torço pra que os pretos estejam sempre no poder. Ninguém melhor do que um preto pra entender as dificuldades das pessoas. Eu torço para que os pretos não desistam de ocupar esses espaços dentro e fora da universidade, por mais massacrante que seja, por mais difícil que seja. Para os LGBT, sejam fortes. Apareçam. Ocupem espaços que nos disseram para não ocupar, façam ciência, sejam o melhor que vocês puderem e movam o mundo pela suas oportunidades. Não as ganhem, as construam.

A LiNAbiotec se orgulha com seus membros, tanto do conselho administrativo quanto no corpo social que se colocam na rua, se expõe a situações e lutam contra preconceitos a eles e elas direcionados por simplesmente serem quem são. A essas pessoas, a LiNAbiotec diz: Se orgulhem.

Reportagem: Bruno Pereira | Secretário de Comunicação da LiNAbiotec


O que o LinkedIn quer dos Profissionais em Biotecnologia?

O que o LinkedIn quer dos biotecnologistas? Essa parece uma pergunta simples de responder? Talvez não, então a LiNA Fez um levantamento de anúncios aqui no linkedin pra tentar responder essa pergunta.

No último mês, pesquisando apenas a palvra “biotecnologia” e ativando o filtro “vagas” e a localização “Brasil”, chegamos ao número de 44 anúncios, que foram todos consultados e filtrados. O período corresponde do dia 27 de maio ao dia 27 de junho e após fazer os devidos descartes, de anúncios divergentes, ou com informações insuficientes, ou que não eram vagas para biotecnologistas, mas para áreas mais correlatas ou de nível médio-técnico, chegamos ao número de 18 anúncios para biotecnologistas.  Esse número significa, em média, um anúncio a cada dois dias, aproximadamente.

Aqui, temos nossa primeira observação. Para uma profissão não regulamentada, extremamente nova e com vários outros profissionais tradicionais exercendo suas atividades, um anúncio a cada dois dias parece revelar um bom quantitativo de oportunidades dentro do mercado de trabalho da ciência aplicada.

Observando as atividades a serem desempenhadas, temos:

  • Validação de processos
  • Boas práticas de fabricação
  • Documentação e relatórios
  • Tratamento e processamento de amostras biológicas
  • Extração de DNA, RNA, testes de rt-PCR e Elisa
  • Análises microbiológicas, hematológicas e parasitológicas
  • Análises físico-químicas
  • Bioprocessos
  • Licenciamento de patentes
  • Atividades de gestão de pessoas
  • Pesquisa científica, indo do monitoramento de campo, coleta, análise e interpretação de estudos
  • Registros protocolares
  • Mapeamento de patentes, planejamento estratégico
  • Avaliação de metodologias de análise, operação de equipamentos de análise como Espectrômetro de massas
  • Elaboração de POP
  • Estudos de mercado na área de biotecnologia
  • Criação e desenvolvimento de campanhas institucionais para redes sociais e sites
  • Controle de qualidade de produtos e processos
  • Operação de culturas virais em ovos/células
  • Treinamento de equipes
  • Preparo de soluções e culturas para biorreatores
  • Elaboração de relatórios e acompanhamento de dos indicadores relacionados ao capital de giro

Essa lista de tópicos está grandemente resumida, mas guarda a essência das atividades a serem realizadas nas vagas anunciadas. Um ponto importante a ser citado é que, excetuando-se a atividade financeira, que não é presente em todas as graduações de biotecnologia, todas essas atividades são perfeitamente executáveis pelos biotecnologistas brasileiros, o que prova nosso ponto inicial: existem sim, vagas para biotecnologistas no mercado privado brasileiro.

A LiNA reconhece que ainda há grande competição com outros profissionais e que isso dificulta a projeção no mercado de trabalho, mas há sim oportunidades. Um anúncio a cada dois dias não parece muito grande, mas se as vagas que existem não forem ocupadas, não há como esse número crescer.

Outro ponto que muito ocorre dos biotecnologistas terem receio é o registro em conselho profissional.  Das vagas analisadas, apenas uma pedia registro em conselho, e quando observadas as atividades e comparadas ao registro requisitado, era coerente o pedido. O registro que foi pedido era o registro no Conselho de Química e a vaga era para analista. Dentre as atividades, constavam elaboração de relatórios e análises físico-químicas apenas, sem processos biológicos envolvidos. Logo, com base nessa pesquisa, é razoável pensa que o registro em conselho, embora seja de fato uma coisa importante no mercado brasileiro, não configura um impeditivo completo ao trabalho.

A LiNA defende a criação do conselho de biotecnologia e não recomenda afiliação a outros conselhos exceto quando for imprescindível a seu futuro profissional, mas ressalta que o registro não é o impeditivo maior a atuação profissional de nossa categoria.

Esse artigo foi escrito com base em pesquisa realizada no dia 27 de junho de 2020 no LinkedIn.

Biotecnologistas, comentem as atividades que vocês realizariam da lista! Recrutadores, fiquem atentos as esses profissionais! Compartilhem esse artigo com suas redes e por fim, Feliz dia do Biotecnologista!

Siga o LinkedIn da LiNA: linkedin.com/linabiotec

Autor: Bruno Pereira | Secretário de Comunicação da LiNAbiotec
Pesquisa: Yuri Lima | Comunicador da LiNAbiotec


Biotecnologia: da Mesopotâmia a Paul Berg

Hoje, dia 30 de junho é o dia do profissional Biotecnologista! Nós vivemos falando sobre a biotecnologia contemporânea e sobre Paul Berg…, mas vocês sabem quem é Paul Berg de verdade? E a Biotecnologia? Quando ela começou? Hora de responder essas perguntas!

.

A biotecnologia clássica surgiu da observação de cruzamentos para obter as melhores características

Em sua primeira fase, a biotecnologia clássica, ocorreu a utilização de organismos vivos da forma como são encontrados na natureza e refinados por outras ciências mecânicas e biológicas, a exemplo de técnicas de melhoramento convencional por simples observação ou por estatística. Desse modo, os agricultores foram capazes de selecionar as melhores culturas adequadas, tendo os maiores rendimentos, para produzir alimentos suficientes para sustentar uma população crescente. Organismos específicos e subprodutos de organismos foram utilizados para fertilizante, restauração de nitrogênio e controle de pragas. Durante o uso da agricultura, os agricultores têm, inadvertidamente, alterado a genética de suas culturas ao introduzi-las a novos ambientes e cultivando-as artificialmente com outras plantas (seleção artificial), uma das primeiras formas de biotecnologia.

Biotecnologia Amarela: A Ciência na Produção de Alimentos

A cerveja é um dos produtos biotecnológicos mais consumidos do mundo

Populações da Mesopotâmia, Egito e Índia desenvolveram o processo de fabricação de cerveja, no qual usa-se grãos maltados (contendo enzimas) para converter o amido de grãos em açúcar e em seguida, adicionando leveduras específicas para produzir cerveja. Neste processo, os carboidratos dos grãos são quebrados em álcoois tais como etanol. Mais tarde outras culturas produziram o processo de fermentação lática que permitiu a fermentação e preservação de outras formas de alimentos. A fermentação também foi utilizada nesta época para produzir pão levedado. Esse processo de uso de micro-organismos como agentes fermentadores, pode ser definido como biotecnologia clássica, embora nesse período o termo biotecnologia ainda não era utilizado.

.

Alexander Flemming fez a descoberta da penincilina por acidente, quando uma de suas culturas de bactérias foi contaminada por um fungo do gênero penincilium

No século XX, especificamente em 1917, Chaim Weizmann usou pela primeira vez uma cultura microbiológica pura em um processo industrial, o da fabricação de amido de milho com Clostridium acetobutylicum, para produzir acetona, que o Reino Unido desesperadamente precisava para a fabricação de explosivos durante a Primeira Guerra Mundial. Não somente isso, mas também, a biotecnologia também levou ao desenvolvimento de antibióticos. Em 1928, Alexander Fleming descobriu o fungo Penicillium. Seu trabalho levou à purificação do antibiótico penicilina, a qual tornou-se disponível para uso medicinal para o tratamento de infecções bacterianas em seres humanos, em 1940.


Tendências: Engenharia Genética

A biotecnologia moderna, começou em grande parte quando a Suprema Corte dos EUA determinou que um micro-organismo geneticamente modificado poderia ser patenteado no caso Diamond vs Chakrabarty. Ananda Mohan Chakrabarty, nascido na Índia, tinha desenvolvido uma bactéria (derivada do gênero Pseudomonas) capaz de quebrar o petróleo bruto, o qual ele propôs utilizar no tratamento de derramamentos de petróleo, um exemplo de biorremediação.

.

A insulina é um dos produtos biotecnológicos e transgênicos mais usados no mundo. E a técnica foi criada aqui no Brasil

A partir dessa época, inicia-se a segunda fase da biotecnologia, baseada no enorme sucesso da tecnologia de DNA recombinante e da biologia molecular. Em 1972, Paul Berg realizou a primeira experiência bem sucedida na qual foram ligadas duas cadeias genéticas diferentes: ele ligou uma cadeia de DNA do fago λ junto ao operon da galactose de Escherichia coli, inserindo-os no DNA do vírus SV40. A primeira utilização comercial da segunda fase da biotecnologia e da tecnologia do DNA recombinante foi em 1982, onde a empresa Genentech produziu a insulina humana para o tratamento de diabetes. Afim de fornecer a insulina em quantidades necessárias, a insulina humana foi isolada e transferida para uma bactéria, o que foi uma prova concreta que biotecnologia utiliza organismos vivos ou parte deles.

A bioinformática é uma das áreas mais emergentes da biotecnologia

A partir do final dos anos 2000, a biotecnologia entra em sua terceira fase, no qual se busca escapar da predominância das tecnologias derivadas da biologia molecular para gerar novas tecnologias baseadas em outros conhecimentos biológicos, tais como células tronco e cultura de tecidos. Nesta fase, a biotecnologia também amplia a sua interação com a tecnologia para além das tradicionais tecnologias fornecidas pela engenharia industrial, assimilando tecnologias de robótica, automação, informática, tecnologias sociais dentre outras.

Assim, a Biotecnologia sai do melhoramento clássico, da observação e com o advento da biologia molecular, entra na era da edição gênica. Nossa profissão sempre esteve direcionada ao desenvolvimento humano, ao progresso. A inovação está no nosso DNA e a LiNA deseja a todos os profissionais da biotecnologia um Feliz dia do Profissional em Biotecnologia, com votos de um futuro mais próspero, com uma profissão regulamentada e uma categoria que seja como a Liga deseja: Unida, Forte e Atuante.


Pós-LiNA: Trabalhando em uma empresa

A Liga Nacional dos Acadêmicos em Biotecnologia existe desde 2012. Nesse já longo tempo, fizemos muito pela identidade profissional dos biotecnologistas. Entrar na LiNA muda uma pessoa e por isso, resolvemos conversar com pessoas que fizeram parte da LiNA e o que isso trouxe pra vida desses profissionais.

Já demos exemplos de biotecnologistas trabalhando em pesquisa e empreendendo por si. Hoje, nossa equipe conversou com Willow Moura, egresso da Universidade Federal de Uberlândia

LiNAbiotec: Quando você entrou na LiNA, por que e qual era a sua função?

Willow: Comecei na LiNA Biotec em 2017 como membro assessor, porque achava extremamente importante a necessidade de divulgação e desenvolvimento da biotecnologia que é uma área muito importante, mas que ainda não tem o seu devido reconhecimento. Me comprometi com a Liga e permaneci até o fim de 2018, quando saí, como Vice-Conselheiro.

LiNAbiotec: Em qual empresa você atua e qual a sua função?

Willow: Hoje atuo na TECSA Laboratórios como Técnico em Biologia Molecular, sou técnico de nível superior e trabalho no laboratório de biologia molecular da empresa.

LiNAbiotec: Como a LiNA te ajudou a entrar no mercado de trabalho?

Willow: Durante o meu período de atuação me envolvi na organização de diferentes eventos, palestras e minicursos. Isso foi essencial para o meu desenvolvimento, pois estava a todo tempo trabalhando pontos como o trabalho em equipe, liderança, oratória e pró atividade e percebo que todas essas qualidades fazem bastante diferença no mundo profissional, já que as empresas tendem a valorizar mais os profissionais que tiveram  experiências para além da sala de aula durante a graduação e se envolvem em iniciativas como a da LiNA.

LiNAbiotec: E, para finalizarmos, qual mensagem você deixa para os novos Biotecnologistas em formação?

Willow: Sempre incentivo os novatos a aproveitarem todas as oportunidades de irem além da sala de aula. Diria pra se envolverem desde os primeiros períodos em atividades de extensão e voluntárias como a LiNA ou Empresa Júnior, por exemplo. Atuem em  tudo aquilo que ajude a biotecnologia a ser cada vez mais acessível, clara e reconhecida, porque se nós, biotecnologistas, não lutarmos pelo reconhecimento dessa profissão tão importante, ninguém mais vai.

Nós frisamos sempre o papel pioneiro que temos na biotecnologia brasileira. Fazer parte da Liga é grande coisa e Willow contou um pouco dessa experiência. Quer fazer parte da LiNA? Só ficar atento ao edital de abertura e renovação de polos, que abre anualmente.

Siga a LiNA em todas as redes sociais! Só pesquisar LiNAbiotec em qualquer uma delas!

Entrevista: Betarice Melo | Comunicadora da LiNAbiotec
Revisão e Edição: Bruno Pereira | Secretário de Comunicação da LiNAbiotec


Biotecnologistas e Empreendedoras

No tema de biotecnologistas empreendedoras, entrevistamos duas biotecnologistas incríveis, formadas pela Universidade Federal do Ceará.

Amanda Moura e Larissa Belizário foram unidas pela biotecnologia e pelo amor às plantas e a natureza são idealizadoras do Canto da Jandaia, uma marca que trabalha com produtos cosméticos naturais, livres de compostos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, além disso ainda levantam a bandeira do autocuidado, do incentivo ao empreendedorismo feminino e do respeito à natureza. Elas nos contaram um pouco sobre a jornada até fundarem seu Negócio e a sua experiência.

LiNAbiotec: Contem um pouco sobre vocês sobre e a sua história com a biotecnologia

Larissa Belizário: Entramos na biotecnologia em 2015, nos formamos ano passado, em 2019. Eu pelo menos nunca pensei que eu faria algo envolvido com empreendedorismo quando entrei na Universidade, muito pelo contrário, achava que eu ia seguir carreira acadêmica e continuar na área de pesquisa. Só no finalzinho do curso que fomos descobrindo mais esse lado, de querer fazer algo nosso, e de “sair” da academia.

Minha “trajetória” dentro da biotec foi se enveredando mais pro lado da microbiologia, fui IC num laboratório de prospecção de fármacos anticâncer no LABBMAR, e desenvolvi meu tcc no LEMBIOTECH, trabalhando com biotecnologia ambiental, na área de biorremediação de ambientes contaminados com petróleo com o uso de microrganismos. Sempre a gente gostou desse lado ambiental, tanto eu, como a Amanda.

Amanda Moura: Eu sempre me identifiquei com as plantas e durante toda a minha graduação, trabalhei com isso. A minha primeira bolsa foi trabalhando com Moringa na degradação de corantes.  Em seguida, fui pra uma outra bolsa que trabalhava com Castanhola; essa segunda bolsa gerou meu TCC, que foi com a inibição de bactérias através de um enzima encontrada no fruto das castanholas.

Durante essa segunda bolsa eu também fazia estágio em uma empresa de cosméticos, foi lá que eu descobri várias coisas legais e eu comecei a me identificar com a área. Só que como a Larissa disse, a gente era muito pro lado acadêmico e não andava com os ditos “empreendedores”, mas quase no final da graduação todo mundo ficou se perguntando o que iria fazer da vida depois e a gente foi discutindo, fazendo cursos e etc. Até que um dia eu e a Larissa começarmos a ter essa ideia do Canto da Jandaia.

A gente também  já fez parte de vários projetos da UFC envolvendo a temática e eu participo atualmente do VerdeLuz que é uma ONG daqui do Ceará. Faço questão de falar essas nossas vivências pois é algo que já construímos antes do Canto.

LiNAbiotec: Qual foi a sua inspiração para empreender?

Larissa: O pontapé foi um estágio que a Amanda fez numa empresa daqui do ramo de cosmetologia, e isso juntou com alguns hábitos e vontades nossas.

Sabonete artesanal de Erva-doce do Canto da Jandaia

Tanto eu como a Amanda, além dos nossos amigos, de uns tempos pra cá começamos a nos importar mais com a questão ambiental em pequenas atitudes no dia-a-dia, como redução de lixo, uso de plásticos e etc. Tudo isso acabou refletindo também no nosso consumo de uma forma geral, começamos a nos interessar por produtos naturais e consequentemente pelos cosméticos naturais, daí acabou juntando tudo. Aliado com a experiência da Amanda com cosméticos, decidimos em 2019 colocar esse projeto pra frente. O empreendedorismo surgiu mais pela necessidade que a gente queria de colocar esse projeto pra funcionar

Amanda: Além disso a gente tinha um grupo chamado “Integralise” , onde a gente se aventurava fazendo sabonetes repelente. Inclusive, ganhamos um prêmio do CEMP (Centro de Empreendedorismo) da UFC no ano de 2017. Fomos juntando várias experiências e vontades, não foi por um grande acaso; eu penso que foram várias peças se encaixando até chegar ao Canto da Jandaia.

LiNAbiotec: Qual foi a sua maior dificuldade para estruturar o seu negócio?

Larissa: A primeira delas foi A GENTE SE FORMAR, porque a gente queria começar o projeto e tinha que defender a monografia. A segunda maior dificuldade foi o medo da questão financeira, pois logo depois do projeto nascer, veio a pandemia, daí ficamos com receio de não dar certo, de não termos retorno financeiro, mas mesmo assim continuamos e tem dado muito certo!

Amanda: Pois é a pandemia realmente meio que assustou e desesperou a gente

Larissa: Mas, apesar de tudo, tem dado tudo muito certo, a gente inclusive fica muito feliz pela aceitação e o apoio que temos recebido dos clientes e amigos

Amanda: A gente teve muito apoio de muita gente e eu creio fortemente que isso fortaleceu nosso projeto

Larissa: A gente sente isso muito forte vindo dos nossos amigos e colegas da biotecnologia. A biotecnologia e biologia (da UFC) em peso saiu apoiando e divulgando a gente, comprando da gente, e isso é muito incrível.

Amanda: Não tivemos um planejamento financeiro pra de fato começar, a gente foi investindo o que a gente tinha, que não era muito, pra tentar fazer dar certo. O nosso planejamento não foi grande mas tivemos várias reuniões e pelejas pra iniciar, não foi nada do dia pra noite.

Larissa: É, acho que a maior dificuldade foi o medo do financeiro não dar certo mesmo (risos).

Sabonete Cravo e canela do Canto da Jandaia

Amanda: Ainda tem essa questão de saber trabalhar nas redes sociais; é de fato o que alavanca muita coisa, e sem essa rede de apoio nada vai pra frente. Tentamos apoiar outras lojas, outros artistas e ter em mente que o que a gente quer não é ser rica, é tentar viver e trabalhar com coisas que a gente gosta. Estar sempre com o pé no chão é muito importante porque a gente sabe que tem dificuldade no meio do processo.

LiNAbiotec: Então, qual vocês acham que é o maior desafio pra quem é Biotecnologista e quer empreender?

Amanda: Eu creio que o maior desafio é se encontrar, por que sabemos que o empreendedorismo dentro da Biotecnologia não é tão acessível.

Larissa: Olha, eu acho que uma das maiores dificuldades é vencer o medo de começar exatamente por isso (não ser um conhecimento acessível).

A biotecnologia tem muitas áreas e ao mesmo tempo acaba sendo “limitada” em muitos aspectos, na MINHA EXPERIÊNCIA, eu achava que ou seguiria no mestrado ou teria que arrumar alguma coisa em alguma empresa, e a gente sabe o quanto isso é difícil. Só que chegou um momento que eu bati o pé e disse que eu, Larissa, não queria seguir na pesquisa acadêmica. Depois disso, eu fui ver o que eu podia fazer, e ainda bem que eu tinha a Amanda sempre colocando a gente pra cima e fazendo a gente acreditar que ia dar certo, que a gente tinha que tentar. A gente deu as mãos e só foi (risos).

Realmente empreender dentro da biotecnologia não é nada fácil, na faculdade se acostuma a pensar que tem que ser uma GRANDE MULTINACIONAL BIOTECNOLÓGICA e às vezes não precisa. Na nossa vida de biotec adquirimos muitas “skills” (resiliência é uma delas) que a gente pode usar em qualquer ramo.

Amanda: Concordo com tudo, a gente é catequizado a acreditar que precisamos purificar uma enzima para iniciar um empreendimento. O curso ainda tá um bebê e eu creio que ele ainda tá sendo moldado , mas uma das coisas que eu vi na Biotec e que eu não vi no antigo curso que eu fazia é que todas as cadeiras você precisa ser criativo e é essa criatividade e essa independência que você cria de ir atrás das ideias. É algo que transforma os seus pensamentos.

Larissa: Queríamos um laboratório para fazer sabonetes e cosméticos cheios de biotecnologia envolvida? SIM CLARO, mas aí é um passinho de cada vez.

Amanda: Meu deus SIM, a gente aprende a se virar viu.

LiNAbiotec: Pra finalizar, mandem um recado para quem quer empreender em biotecnologia.

Larissa: Eu queria falar o que eu diria pra mim mesma: não se desespera que o mundo não é só o que você vê dentro da sua caixinha universitária. A gente pode e deve se permitir tentar e errar, provar e ver que não gosta, mudar de área, de pensamento, de tudo. O importante é estar onde você quer estar, e correr atrás daquilo que te faça bem.

Tente avaliar o que você gostaria MESMO de fazer, porque se você quer mesmo investir seu tempo, paciência, força de vontade em algo, que pelo menos seja em algo que te traga um retorno pessoal bom, porque os outros retornos acabam vindo com o tempo. Não adianta você investir em algo que “esteja em alta” se você não se encaixar ali, porque uma hora o encanto acaba e você se vê sem saber o que fazer. É um caminho demorado e muito trabalhoso, então saiba no que você está entrando. Não se desespere por que as dificuldades sempre vão existir, a gente só precisa aprender a dar umas rasteiras nelas.

Amanda: Eu queria acrescentar uma coisa em relação ao empreendedorismo, muitas pessoas começam a pegar esse conceito e unir com outros conceitos sabe, como o veganismo é algo que tá na moda e todo empreendimento leva consigo para tentar chamar atenção desse público. E eu acredito que empreender tem que ser algo a sua cara, porque caso contrário ninguém vai se identificar. Hoje em dia as pessoas cada vez mais querem conhecer os produtores, quem de fato está nos bastidores do empreendimento. E outra coisa… empreendedorismo não é “pensar fora da caixa” esse conceito não deveria ser ensinado, ele é algo prático e que por muitas vezes é tratado como um receita que depois de alguns passos você consegue sucesso. As pessoas precisam entender que tudo é um processo e não é pensando em lucros ou em coisas mirabolantes que você chega em algum lugar.

.

A LiNA entrevistou duas biotecnologistas, mulheres que estão conseguindo seu espaço. A biotecnologia no Brasil é um campo muito grande e inexplorado. Ser pioneiro não é fácil em lugar nenhum, muito menos no Brasil. Nossa missão como primeiros biotecnologistas da história brasileira é abrir o caminho. e nós já começamos.

Sigam a empresa no Instagram: @instacanto

Reportagem: Miria Oliveira | Comunicadora da LiNAbiotec
Revisão e edição: Bruno Pereira | Secretário de Comunicação da LiNAbiotec

Siga a LiNA nas redes sociais:
Instagram: @lina_biotec
Twitter: @LiNAbiotec


Biotecnologia branca: sustentabilidade e eficiência industrial

A biotecnologia branca é utilizada para descrever a implementação da biotecnologia na esfera industrial. Os biocatalizadores (enzimas e microrganismos) são as principais ferramentas utilizadas nessa área, e estão presentes em setores como: indústrias químicas, energéticas e têxteis, além de serem utilizados para a fabricação de uma ampla variedade de produtos como os biocombustíveis, bioplásticos, polpa de papel, fibras sintéticas, biopolímeros, compostos químicos, entre outros.

Essas enzimas (moléculas catalisadoras) são aplicadas cada vez mais em operações industriais para diversos tipos de processos produtivos por terem grandes vantagens no setor, tais como: facilmente obtidas por processos biotecnológicos, aceleram reações difíceis de serem realizadas por outros meios, exige pouco uso de água, melhoram a qualidade do produto, podem ser reutilizadas após outro processo, são obtidas de fontes naturais e renováveis, reduzem emissões de gás carbônico, são produtos biológicos, degradáveis e de muito baixa periculosidade, além de retorno bioecônomico. Com isso, o emprego das enzimas nas indústrias contribui com tecnologias limpas para redução do impacto ambiental.

No decorrer das três últimas décadas, principalmente, a biotecnologia industrial vem tendo avanços impressionantes. Novas soluções bioeconômicas para energia e desenvolvimento de biocombustíveis vêm surgindo como alternativas de intensificar a produção ao mesmo tempo em que sejam favoráveis à sustentabilidade e a economia. Assim, um dos exemplos é a fabricação de combustíveis renováveis a partir dos resíduos, como o bagaço de cana e sementes, contribuindo para a redução da exploração de recursos naturais poluidores, como o petróleo, e diminuindo a emissão de gases tóxicos na atmosfera.

A utilização da biotecnologia na substituição dos processos existentes torna muitas destas indústrias mais eficientes e comprometida com o meio ambiente, de modo que contribui de diversas formas para a sustentabilidade industrial. Esta mudança de paradigma também é muito evidente em empresas que as implementam em áreas de produção de materiais como biopolímeros e bioplásticos.

O uso de enzimas como aditivos para produtos de limpeza também representa uma das principais aplicações nas indústrias. Isso se deve ao fato das enzimas serem adicionadas a esses produtos de modo que catalisam a quebra de ligações químicas na água, assim, potencializam a eficácia destes, de forma que também seja adepta a uma menor toxicidade aos consumidores e ao meio ambiente.

Nas indústrias têxteis, as enzimas também estão sendo cada vez mais usadas. Estas se encontram presentes nas aplicações de celulases para acabamento de jeans e para descoloração e branqueamento têxtil. O uso de enzimas como alternativas a produtos químicos no processamento de couro também provou ser bem-sucedido na melhoria da qualidade do couro e na redução da poluição ambiental, uma vez que a produção de couro tem alto consumo de água.

A implementação de enzimas nas indústrias de papéis também é destaque. Estas são capazes de tornar o processo de refino da celulose mais sustentável, facilitando as etapas de destintamento e reconstituição do papel. Com isso, as biotecnologias destinadas à obtenção de polpa celulósica, tanto nas etapas prévias quanto posteriores, se tornam melhores aliadas aos aspectos bioeconômicos favoráveis ao desenvolvimento nas indústrias.

Segundo Bernardo Silva, presidente da Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI), “A biotecnologia industrial está aqui para mudar o mundo”. A utilização de enzimas e microrganismos para aprimorar os processos industriais fornece uma contribuição essencial na transição das práticas econômicas não sustentáveis, para as renováveis, aliando inovação e sustentabilidade como alternativa de redução de impactos socioambientais.

Sendo assim, a utilização da biotecnologia nas indústrias vem demonstrando cada vez mais potencial, logo que favorece menor demanda de energia, aumento do título do produto, menor desperdício, aumento da eficiência, menores volumes de uso e fluxos de águas residuais, causando menor impacto ambiental, além de ser economicamente vantajoso devido a seus custos reduzidos.

Gostou de conhecer mais sobre a #BiotecBranca? Siga a LiNA Biotec no Instagram e no Facebook e não perca nossa live dia 29/06.

.

Autores: Maria Victória Benites Rodrigues e Vivian Alessandra Sumiko Suguimoto | Polo UFGD

Revisão: Bruno Pereira | Secretário de Comunicação da LiNAbiotec


Atribuições do Biotecnologista no PL 3762/2019

Nossa profissão ainda não é regulamentada, infelizmente. Mas os biotecnologistas são, acima de quase tudo, pioneiros. Tínhamos uma escolha: nos conformar ou lutar. Escolhemos a luta. Em 2012 nascia a LiNAbiotec, para unir e batalhar pela identidade profissional do biotecnologista. Uma das nossas ações foi conceber uma lei que regulamente nossa profissão, como acontece aqui no Brasil em praticamente todas as profissões de nível superior. Desde que começamos essa caminhada legislativa, já passamos por muita coisa. E você pode conferir essa caminhada rapidamente aqui.

O que aconteceu com o PL 3747/2015?

Como você viu, a regulamentação está com um novo projeto de lei, mais completo e com novas atribuições em seu artigo 4º, dos incisos I ao XXIII. Mas o que, na prática, significam todas essas coisas? Todas essas áreas de atuação? Existe diferença entre área de atuação e atribuição? Nosso objetivo nessa matéria é responder essas perguntas.

Área de atuação vs. Atribuição profissional

Para começar, área de atuação é um conceito subjetivo, e, nesse caso, significa área da ciência onde diferentes atividades podem ser exercidas. Essas atividades, quando regulamentadas, são chamadas de atribuições. Por exemplo: Biologia molecular é a área de atuação, onde vários profissionais podem atuar, realizando várias atividades diferentes. Rt-PCR é uma técnica de análise de biologia molecular e esta pode ser uma atividade realizada por um profissional, e, portanto, uma atribuição. Todo projeto de lei que se propõe a regulamentar uma profissão deve trazer atribuições em sua matéria, e não áreas de atuação, pois o projeto deve trazer definições claras acerca do profissional que exercerá as atividades e as atividades em si.

Outro ponto a ser deixado claro sobre esse PL é que há a definição de  profissionais biotecnologistas como sendo os diplomados em Bacharelado em biotecnologia, tanto no Brasil quanto no exterior, após a revalidação do diploma. Também se assegura o direito a exercer a profissão àqueles que exercem as atividades até a data da publicação da lei por pelo menos 5 anos. Ou seja, ninguém que é biotecnologista será prejudicado. Não podem ser considerados biotecnologistas quem não obedecer a estes termos, mesmo que possuam graduação correlata e pós-graduação em biotecnologia. Isso é óbvio pois ter uma pós graduação em farmácia não me torna um farmacêutico. Logo, é mais do que razoável dizer que quem tem pós em biotecnologia sem ter se graduado no curso, não pode se chamar de biotecnologista.

Feitos esses esclarecimentos, vamos começar a destrinchar as atribuições do nosso PL 3762/2019.

  1. a formulação, a elaboração e a execução de estudo, projeto ou pesquisa científica básica e aplicada, nos vários setores da Biotecnologia ou a ela ligados, executando direta ou indiretamente as atividades resultantes desses trabalhos e proporcionando a capacidade de resolução de lacunas entre a pesquisa e o desenvolvimento pré-industrial e industrial;
    1. Fica assegurado por essa atribuição, o trabalho em pesquisa em poucas palavras.
  2. a orientação, a supervisão, a coordenação, a responsabilidade e referência técnica, a fiscalização, a auditoria, a direção, o assessoramento e a prestação de consultoria a empresas, fundações, sociedades e associações de classe, entidades autárquicas, públicas ou privadas, no âmbito de sua especialidade;
    1. Fica assegurado aqui, o assessoramento a empresas ou outras entidades. É nessa atribuição que fica assegurado o direito de emitir laudos e de representar empresas como biotecnologista responsável, além de responder pelo controle de qualidade dos processos ou produtos.
  3. a concepção e o monitoramento de biomateriais e dispositivos tecnológicos que contemplem em suas partes ao menos um item de origem biológica, sendo este de origem recombinante ou não;
    1. É esse inciso que dá aos biotecnologistas o direito de criar bioprodutos inovadores, respeitando o conceito da biotecnologia, ou seja, que haja uma parte biológica na formulação ou criação desse material ou dispositivo.
  4. a organização e a liderança de equipes multidisciplinares para a resolução de problemas relacionados com a biotecnologia;
    1. Esse inciso simplesmente dá ao biotecnologista a possibilidade de ser liderança dentro da equipe multidisciplinar em biotecnologia, ou seja, biotecnologistas poderiam além de integrar uma equipe de técnicos de variadas formações, é assegurado a ele também, o direito de lidera-los
  5. o planejamento, a execução e o monitoramento de programas de melhoramento genético vegetal, animal e microbiológico que utilizem técnicas de engenharia genética ou métodos convencionais.
    1. O melhoramento genético é inerente a formação do biotecnologista e esse inciso assegura a ele o direito de realiza-lo integralmente.
  6. a produção, a manipulação, o controle de qualidade e de biossegurança, a manutenção e o descarte de organismos geneticamente modificados destinados à agricultura, pecuária, aquicultura, alimentação, saúde humana, saúde animal, meio ambiente, indústria e bioenergia;
    1. Aqui nos é assegurado o manejo e planejamento de biossegurança de cultivo, vegetal, animal ou microbiológico.
  7. a pesquisa, a análise, a fabricação, a manipulação, o controle de qualidade e de biossegurança de produtos biotecnológicos de origem recombinante e origem não recombinante, tais como enzimas, hormônios, hemoderivados, vacinas, biopolímeros, terapias gênicas, terapias celulares e kits de diagnóstico, sem incluir procedimentos invasivos em humanos;
    1. Aqui, nos ficaram asseguradas as atividades de testes clínicos, em sua totalidade, do planejamento a execução, excetuando-se os procedimentos invasivos, como pro exemplo aplicação de medicação por vias intravenosas ou intramusculares, que são atividades de outras profissões.
  8. a pesquisa e o desenvolvimento de bioprocessos para a indústria alimentícia, farmacêutica ou o setor de bioenergia, seja em pequenas dimensões ou escalas maiores, incluindo as etapas de pesquisa e desenvolvimento, produção e controle de qualidade;
    1. Ficam garantidos os direitos ao desenvolvimento e uso de bioprocessos nas variadas indústrias, em escalas laboratoriais e piloto.
  9. a realização de análises moleculares, físico-químicas, microbiológicas e toxicológicas em transgênicos e produtos de origem recombinante;
    1. Esse inciso ratifica a emissão de laudos, pois para emitir laudos você precisa fazer as análises. Esse inciso assegura isso.
  10. o desenvolvimento e a utilização de ferramentas computacionais e matemáticas da bioinformática que geram, gerenciam e analisam informações de origem biológica;
    1. O projeto não negligenciou os bioinformatas e aqui ficou assegurado o trabalho deles, tanto a criação de novas ferramentas quanto seu uso, além da alimentação dos bancos de dados em bioinformática.
  11. a utilização da nanobiotecnologia para o desenvolvimento de produtos em diversas áreas como terapias gênicas, carreamento de fármacos, biossensores e biomateriais.
    1. O uso de nanotecnologia e ferramentas correlatas fica assegurado a todos os biotecnologistas.
  12. a realização de diagnósticos de genética molecular e citogenética em saúde humana e animal, em perícia forense ou criminal e na emissão de laudos técnicos e pareceres;
    1. Esse inciso mostra mais uma atividade da área de biologia molecular e nesse caso em especial, teria formado uma força de profissionais extremamente importante na situação de pandemia que vivemos, já que testes diagnósticos moleculares foram fator decisivo no rastreamento do novo coronavírus. Além desses diagnósticos mais clássicos, a perícia forense e aconselhamento com base em perfil genético são atividades que podem derivar desse inciso.
  13. a realização de ensaios não-clínicos em animais de laboratório, respeitada a legislação específica;
    1. Os testes em animais estão na formação dos biotecnologistas e aqui, também está assegurada na atuação profissional.
  14. biotécnicas e tecnologias para conservação de germoplasma e reprodução in vitro de organismos vegetais, animais e humanos, sem abranger procedimentos invasivos e respeitando a legislação em vigor;
    1. A conservação genética de organismos também é um atividade passiva da atuação dos biotecnologistas, dado o extenso conhecimento em genética e conservação, além dos conceitos de ecologia, presentes na grande maioria das graduações.
  15. a coleta e análise de material biológico para bioprospecção de moléculas e agentes bioativos em todos os ambientes que contiverem seres vivos;
    1. o trabalho em campo também é assegurado ao biotecnologia, além da prospecção em laboratório.
  16. o controle biológico de pragas e fitopatógenos;
    1. o controle biológico é uma atividade complexa que utiliza de vários conhecimentos translacionais, característica marcante da graduação em biotecnologia: um curso multidisciplinar e transdisciplinar.
  17. a remediação de ambientes poluídos através do tratamento com seres vivos ou produtos derivados dos mesmos, de origem recombinante ou não;
    1. A biorremediação é atividade clássica do biotecnologista e está aqui, assegurada a nós.
  18. a representação direta de empresas de Biotecnologia junto a órgãos ligados à saúde, à vigilância sanitária e ao meio ambiente.
    1. Mais um inciso que ratifica a representação e responsabilidade técnica de empresas e outros órgãos.
  19. a escrita, a consultoria e a emissão de laudos e pareceres sobre patentes e documentos oficiais de transferência tecnológica na área de biotecnologia em todos os seus campos de aplicação;
    1. Outro trabalho que foi assegurado no projeto de lei foi a atuação na área de propriedade intelectual.
  20. a administração e a responsabilidade técnica de empresas e setores de produção do ramo de biotecnologia;
    1. A administração empresarial ligada a biotecnologia fica garantida através desse inciso.
  21. a participação em comitês de bioética e de biossegurança;
    1. Comitês de ética e biossegurança poderão contar com mais um profissional, garantido a partir desse inciso.
  22. a elaboração e execução de planejamento estratégico, planos de negócios e planos orçamentários para empresas de biotecnologia;
    1. Mais uma vez, o inciso ratifica a atuação de gestão em biotecnologia dentro das empresas de biotecnologia.
  23. o exercício do magistério, respeitada a legislação específica;
    1. Como em toda profissão de nível superior, fica assegurado o magistério na área, respeitadas as legislações.

Você pode acompanhar a tramitação do PL 3762/2019 no site da câmara dos deputados clicando aqui.

O projeto de lei 3762/2019 não é muito complexo, mas alguns termos podem confundir. Foi por esse motivo que a LiNA achou por bem produzir essa matéria, elucidando, na prática, todo o rol de atividades que o biotecnologista poderá exercer. Lembramos também que essas atividades não são privativas, e, portanto, não trazem prejuízos a outras categorias que já a exercem.

A LiNA enfatiza que este é o único projeto que conta com o apoio e contato direto da Liga e que representa os profissionais biotecnologistas em sua totalidade. Qualquer outro é estranho à nossa luta.

Fiquem ligados no site da LiNA para mais matérias e siga as nossas redes sociais!
Instagram: @lina_biotec
Twitter: @LiNAbiotec
Facebook: fb.com/linabiotec

Autor: Bruno Pereira | Secretário de Comunicação da LiNAbiotec
Revisão: Gabriela Mesquita | Comunicadora da LiNAbiotec


Biotecnologistas pesquisadoras

O biotecnologista é um profissional gigante. Nossas atribuições são extensas e nosso escopo é largo para caber em uma só matéria. No nosso mês, a LiNAbiotec decidiu explorar um pouco para o público geral e até para nós mesmos como existem biotecnologistas trabalhando em todo lugar e com todas as coisas. A partir daí, começamos com a área mais comum de atuação de um biotecnologista: a pesquisa

Entrevistamos duas biotecnologista brasileiras e perguntamos como está sendo a caminhada delas na nossa profissão. Confira:

Thais Oliveira

Graduada em 2016 em biotecnologia pela Universidade Federal do Ceará, Thaís escolheu o curso em uma feira de profissões em 2011, após se deparar com uma realidade diferente da qual ela imaginava sobre a profissão, sonhava em ser cientista, porém não havia achado sua oportunidade até então. “Minha melhor amiga havia me falado sobre esse curso, então resolvi dar uma chance e escutar o que os alunos tinham a dizer. Foi uma paixão que veio no pouco tempo em que eu escutava os meus futuros veteranos. Achava que ser cientista era só para pessoas super inteligentes… Resolvi dar a chance”

Atualmente, sua área de especialidade é a biotecnologia verde. Desde a sua graduação todas as linhas de pesquisa foram relacionadas a área vegetal, portanto, escolheu cursar o mestrado em ciência vegetal molecular, algo que a abriu portas para novas experiências dentro da biotecnologia verde, quando ela decidiu trabalhar com microalgas, sendo estas o assunto da sua dissertação, no mestrado que fez na Universität Hamburg, na Alemanha.

“O campo de estudo das microalgas me interessou por ser um campo pouco explorado, então há diversas possibilidades de pesquisa e descobertas a serem feitas. Além disso, é uma área em expansão, especialmente para produzir bioprodutos (como biocombustíveis) e para esclarecer a evolução das plantas do ambiente aquático para o terrestre.”

Cosmarium crenatum é uma especial de microalga verde com relação filogenética próximas as plantas terrestres. Thaís foi responsável por estabelecer uma plataforma de transformação genética, tanto transiente quanto estável, para essa espécie especificamente. A transformação genética foi realizada por bombardeamento de partículas e com plasmídeos contendo GFP e genes de resistência a antibióticos para poder selecionar as células transformadas. É importante ressaltar que esse trabalho foi o primeiro a provar que é possível realizar transformação genética estável em C. crenatum, abrindo novas possibilidade de experimentos usando transgenia nessa espécie.

Thais também não esteve alheia a uma das questões mais urgentes da biotecnologia no brasil: o desconhecimento sobre a ciência. “Ao finalizar o Mestrado e retornar ao Brasil, percebi uma lacuna na divulgação de conhecimento sobre Biotecnologia Vegetal, então decidi que iria criar um perfil no Instagram. Foi assim que o @Biotecnologiaverde nasceu há menos de um mês e hoje sinto que posso compartilhar meu conhecimento com todos, sendo da área da Biotecnologia ou não, além de o perfil já ter me aberto ótimas portas dentro da Biotecnologia em si.”

.

Natália dos Santos do Nascimento

Formada em biotecnologia em 2019 pela Universidade Federal da Paraíba, Natália dos Santos, seguiu seu sonho de trabalhar com a nanotecnologia, estagiando em diversos laboratórios durante seus 4 anos de curso, como o laboratório de nanotecnologia e nanociência industrial (LANNI), laboratório de avaliação de risco de novas tecnologias (LabRisco) e o laboratório de cultivo e análise celular (LACEC), sempre trabalhando lado a lado com a bionanotecnologia, porém com grande afeto por cada área que a biotecnologia abrange.

“A carreira como biotecnologista tem um potencial altíssimo, que infelizmente a sociedade ainda não está preparada, por falta de conhecimento da nossa existência mesmo. Mas para aqueles que têm uma mente mais aberta e aqueles que já conhecem o que um profissional na área de biotecnologia pode fazer, o mundo é nosso. Na área de alimentos temos um mercado gigantesco e novo a ser aprimorado e descoberto, a área industrial necessita da nossa intervenção para tornar os processos mais eficazes, seguros e ambientalmente sustentáveis, na área da saúde, nós podemos ampliar os horizontes com novos tratamentos e quem sabe até a erradicação de muitas doenças, e a consequente longevidade e maior expectativa de vida com qualidade.”

Atualmente, Natalia é mestranda na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, aonde continuará estudando a bionanotecnologia com ênfase na avaliação do efeito antienvelhecimento da enzima catalase, no laboratório de nanobiotecnologia. Seu último trabalho avaliou a atividade antifúngica de uma substância em linhagem de Candida.

.

Essa é a área mais fácil de encontrar um biotecnologista trabalhando, devido ao processo histórico da criação da nossa graduação, além das habilidades que desenvolvemos ao longo do tempo de curso. Mas isso não significa que existam biotecnologista apenas na pesquisa. Pelo contrário, tem muita gente se aventurando. Fique atento ao site da LiNA e nossas outras redes sociais para saber mais. Feliz mês do biotecnologista!

Autora: Lina Gress | Comunicadora da LiNAbiotec
Edição: Bruno Pereira | Secretário de Comunicação da LiNAbiotec


Pretas e cientistas

No Brasil, assim como no mundo, o racismo está impregnado nos pilares de sua formação. Assim, a ascensão do negro no ambiente social, mesmo que possua capacidade intelectual para tal, ainda é extremamente dificultada, principalmente quando em conjunto com outro grande preconceito existente: a inserção feminina no mercado de trabalho. Portanto, citaremos agora 3 exemplos de mulheres negras que venceram os desafios socialmente impostos para você se inspirar.

.

Jessie Isabelle Price


Jessie Isabelle Price

Jessie Isabelle Price é conhecida por seu trabalho como microbiologista veterinária onde desenvolveu vacinas para combater organismos que matam patos e aves aquáticas. Nascida em 1º de janeiro de 1930 em Montrose, Pensilvânia, ela foi criada por sua mãe solteira, Teresa Price, que incentivou o trabalho duro na escola. Depois de frequentar suas escolas públicas predominantemente brancas no bairro, ela foi aceita na Universidade de Cornell. Price se formou na Faculdade de Agricultura da Universidade de Cornell com um diploma de bacharel em microbiologia em 1953. Em 1956, ela retornou a Cornell para obter seu mestrado, graduando-se em 1959 com um mestrado em bacteriologia, patologia e parasitologia veterinária. Nesse mesmo ano, ela ganhou seu doutorado com uma dissertação sobre “Estudos sobre a infecção por Pasteurella anatipestifer em patos brancos de Pekin”, publicada no Journal of Avian Diseases.

Seu trabalho consistiu principalmente no entendimento das interações entre doenças na vida selvagem e contaminantes ambientais, especificamente em aves aquáticas. Seu objetivo era identificar as doenças microbianas para reduzir a mortalidade da vida selvagem. Em outro projeto de pesquisa, ela foi capaz de determinar por que algumas áreas úmidas tinham maior frequência de surtos de cólera. Essa pesquisa levou a um melhor controle da cólera aviária.

Jewel Plummer Cobb

Jewel Plummer Cobb

Jewel Plummer Cobb nasceu em 1924 em Chicago, Illinois. Seu avô paterno era um escravo liberto e tornou-se farmacêutico depois de conquistar sua liberdade. Jewel matriculou-se na Universidade de Michigan, em 1942, mas insatisfeita com a moradia segregada para estudantes negros, ela se transferiu para o Talladega College, no Alabama, onde graduou-se em Biologia em 1945.

Por ser uma mulher negra, inicialmente lhe foi negada uma bolsa para estudos de pós-graduação em biologia na Universidade de Nova York, mas logo após conseguiu se destacar e ser aceita nesta faculdade. Em 1947, completou seu mestrado pela New York University, e, em 1950, seu Ph.D, com foco em fisiologia celular.

Em sua carreira como pesquisadora, Jewel Cobb descobriu a relação entre a melanina e os danos à pele, e sobre os efeitos de hormônios, luz ultravioleta e agentes quimioterápicos na divisão celular. Também descobriu que o metotrexato era eficaz no tratamento de certos tipos de câncer de pele, câncer de pulmão e leucemia infantil. Esta droga é usada até hoje em quimioterapias para tratar vários tipos de cânceres e doenças auto-imunes. Jewel foi a primeira a publicar dados sobre a capacidade da actinomicina D de causar uma redução de nucléolos no núcleo de células humanas normais e malignas.

Alice Ball

Alice Augusta Ball

Alice Ball foi uma química norte-americana que desenvolveu o único tratamento efetivo contra a hanseníase até a aparição dos antibióticos, em 1940.Esta cientista começou sua formação na Universidade de Washington e depois se transferiu para o Havaí para fazer a pós-graduação. Ali estabeleceu dois marcos: tornou-se a primeira pessoa afro-americana e a primeira mulher a se formar naquela universidade.

No começo do século XX, a doença, então conhecida como lepra, se espalhava de forma desenfreada, causando um problema de saúde pública para o qual a única solução existente era o isolamento. A polícia prendia os doentes e os encerrava no leprosário de Kalaupapa, na ilha havaiana de Molokai; lá os doentes tomavam óleo de chaulmoogra, que causava fortes dores abdominais.Com 23 anos, Ball, horrorizada por esse panorama, desenvolveu um extrato de óleo injetável que era eficaz contra a doença, conhecido como método de Ball, os doentes já não precisavam mais ser isolados e podiam ver suas famílias.

.

Elas venceram todas as barreiras sociais que lhes foram impostas, ser mulher e negra em uma sociedade ainda mais machista e racista, e fizeram história no meio científico. Infelizmente na época em que elas atuaram a biotecnologia ainda não era conhecida ou reconhecida como área do conhecimento como é hoje, mas elas certamente atuaram em alguma das várias subdivisões da biotecnologia e trouxeram mais avanços para todos.

As histórias aqui contadas provam falhas em muitas coisas que nós somos condicionados a acreditar, como uma suposta igualdade de oportunidades, que esforço é só o que basta. Nosso objetivo não é apresentar essas histórias como exemplos de superação, nós queremos provar que o sistema tem falhas. Essas histórias são exceções. Quantas mais mulheres poderiam ter feito avanços tão grandes quanto esses se de fato essa igualdade declarada existisse? É essa a reflexão que a LiNA convida a todos a fazerem.

Autoria: Ana Beatrice Melo – Comunicadora da LiNAbiotec
Edição: Bruno Pereira – Secretário de Comunicação da LiNAbiotec