Biotecnologia Azul: Um oceano de possibilidades

Charles Darwin há cerca de 150 anos foi um dos pioneiros em descrever o modo como as espécies são selecionadas pelo ambiente em que vivem de modo que as que estão mais adaptadas se reproduzem e, portanto, com o passar do tempo, tornam-se mais abundantes. Nesse sentido, a biotecnologia da cor azul faz a bioprospecção (pesquisa e exploração da biodiversidade) do ambiente marinho com o objetivo de encontrar em condições tão diferentes das nossas regulares uma variedade de espécies que se desenvolveram com características, também distintas das encontradas em outros ambiente, que poderiam ser aproveitadas por nós como tecnologia.

Até hoje, a bioprospecção marítima já rendeu muitas inovações como a produção de alimentos super nutritivos, sobre os quais também discorreremos nesse texto, conjuntamente com outros temas de inovação da Biotecnologia Azul. Para tanto, trataremos dos seguintes assuntos no texto, respectivamente: como moléculas bioativas encontradas em peixes e invertebrados podem ajudar na produção de vacinas de DNA; como utilizar microalgas pode mudar nosso modo de obter esqualeno, evitando caça predatória de tubarões; o que a biodiversidade marítima tem a oferecer para nossa alimentação como suplementos; e o potencial de produção de fármacos através de moléculas obtidas da microbiota de esponjas.

  1. A bioprospecção de moléculas inibidoras de DNase I para aplicação em vacinas de DNA. As vacinas de DNA têm como estratégia uma expressão prolongada do antígeno, além de sua elevada segurança, facilidade de ser produzida em larga escala e excelente estabilidade. Entretanto, uma de suas desvantagens é que o gene carregado pela vacina deve ser expresso em quantidade adequada e, tratando-se de DNA, é possível que as nucleases endógenas (DNases, por exemplo, são enzimas capazes de quebrar ligações entre os nucleotídeos da dupla fita de DNA e degradá-lo) do receptor da vacina degradem o gene de interesse. Levando em conta este problema, a Biotecnologia Azul pode fornecer soluções, na pesquisa realizada por Magalhães et al. (2014) encontrou-se em peixes e invertebrados algumas moléculas bioativas capazes de atuar como adjuvantes, desse modo auxiliando na conservação do DNA presente na vacina e minimizando a degradação enzimática.
  2. Produção de esqualeno através de vias fermentativas. O esqualeno é uma molécula lipídica que tem despertado a curiosidade industrialmente e economicamente pelo seu impressionante potencial antioxidante ao neutralizar os temidos radicais livres que deterioram as células, potencial este que vem sendo amplamente aproveitado na área cosmética em produtos anti-envelhecimento, e pelo fato de também ter demonstrado uma atividade preventiva para o câncer. Uma das problemáticas enfrentadas até então é que a principal fonte de esqualeno é o extrato do óleo produzido no fígado de algumas espécies de tubarões. Como maneira de evitar a pesca predatória destes animais, a Biotecnologia Azul surge com a solução de produzir esqualeno em larga escala utilizando-se de microalgas (grupo Thraustochytrids). O estudo foi feito por Batista et al. (2014), que relatou que algumas estirpes do grupo já demonstraram produzir naturalmente o esqualeno, que por sua vez pode ser aumentado por meio de processos fermentativos. Além do esqualeno, o grupo de microalgas fornecem β-caroteno, cantaxantina, astaxantina e quinenona. Estes compostos, como outros pigmentos, são utilizados em áreas diversificadas como a alimentar, têxtil, farmacêutica, cosmética, dos nutracêuticos e dos corantes de impressão.
  3. Segundo Freitas et al. (2012) alguns componentes de organismos marinhos também podem ser aplicados à produção de novos super alimentos funcionais, como forma de nutrir e prevenir doenças. Um alimento funcional, segundo Health Canada (http://www.hc-sc.gc.ca) é similar ao alimento convencional em aparência, entretanto oferece benefícios fisiológicos que aumentam a saúde e diminuem o risco em desenvolver doenças. As características do ambiente marinho como a alta salinidade, temperatura, pressão e incidência luminosa impõe um interesse particular nos compostos gerados pelos organismos marinhos como crustáceos, micro e macro algas, fungos, cianobactérias e alguns tipos de peixes. A partir destes compostos tem-se a possibilidade de gerar agentes espessantes (a partir de alginatos e ágares), agentes emulsionantes, conservantes e outros deles ainda podem ser adicionados aos alimentos como forma de reduzir colesterol, glicemia e a pressão sanguínea, por exemplo. A suplementação alimentar proveniente de microalgas já é bastante comum, a mais conhecida entre elas, a Spirulina, é uma rica fonte proteica e de minerais e vitaminas (zinco; ferro; cálcio; magnésio; vitaminas K1, K2 e B12; e β-caroteno, por exemplo).
  4. A extração de moléculas bioativas de esponjas marinhas já demonstrou grande potencial para produção de novos fármacos. As esponjas ou poríferos são organismos filtradores sésseis (fixos a um substrato) encontrados nos mais diversos ambientes marinhos e, por possuírem uma morfologia relativamente simples desenvolveram estratégias adaptativas essencialmente químicas ao associar-se a diversos microorganismos. Os compostos isolados de esponjas são o produto da sua microbiota (conjunto de microorganismos que a habitam) altamente diversificada. Dos fármacos originados a partir destas moléculas, podemos citar: o primeiro fármaco com ação anti-HIV (zidovudina ou AZT); fármacos de ação antiviral; antibióticos (eritromicina); imunossupressores (rapamicina); anticolesterol (lovastatina) e antitumorais (epotilona). O reconhecimento da biodiversidade de moléculas isoladas de esponjas é feito através do sequenciamento do genoma do organismo hospedeiro (a esponja) e sua microbiota associada, em seguida são feitos testes fenotípicos e genotípicos em busca das propriedades bioativas (se há potencial bactericida, fungicida, antitumoral, entre outros). Portanto, as esponjas detém uma ampla comunidade microbiana, geneticamente distinta e quimicamente férteis, e dada a sua riqueza taxonômica com cerca de 8.500 espécies validadas, as esponjas consagram-se como uma das mais promissoras fontes modernas de recursos naturais para futuras aplicações biotecnológicas e farmacêuticas.

Como podemos perceber pelos exemplos anteriores, o ambiente marinho constitui uma extraordinária reserva de compostos com características estruturais únicas e diferentes das encontradas em produtos naturais de origem terrestre. Os compostos de origem marinha assumem assim um papel cada vez mais significativo na descoberta de novos medicamentos, de novas aplicações em cosmética, na produção de enzimas com características específicas e até mesmo para a recuperação de ambientes terrestres que sofrem com a poluição (biorremediação).

Os compostos terrestres, como os encontrados em plantas, sempre foram mais vislumbrados pela bioprospecção, agora que estamos começando a descobrir as peculiaridades dos organismos marinhos e seus compostos que  são nada mais nada menos que o resultado da evolução biológica, no sentido de obter vantagens competitivas, sejam elas a capacidade de obter um determinado recurso, de influenciar um outro organismo ou de eliminar os competidores. No Brasil temos a Rede Nacional de Pesquisa em Biotecnologia Marinha (BiotecMar) para auxiliar pesquisas com relação à biodiversidade marinha, a descoberta de novas espécies e o mapeamento de novos genes. Uma das empresas que representam a biotecnologia azul em nosso país é a Regenera Moléculas do Mar, cujo objetivo é acessar a genética da biodiversidade marinha brasileira visando atividades com potencial de uso econômico, como desenvolvimento tecnológico ou bioprospecção.

Devido a importância das descobertas que a biotecnologia marinha proporcionou, é certo que a pesquisa marinha continuará em voga. De acordo com Leary et al. (2009), uma rápida pesquisa no Google Acadêmico contendo as palavras “marine biotechnology” (biotecnologia marinha) mostra que a partir dos 6.400 registros (não incluindo citações) obtidos para o ano 2000 houve um crescimento, a uma taxa aproximadamente constante, para 17.800 registros em 2013. Estes resultados são corroborados pelo número de patentes relacionadas com recursos marinhos genéticos, e nos mostram um crescimento de interesse por esta área de 70% entre os anos de 1998 e 2007.

Por todas as aplicações e aspectos mencionados, é possível notar que esta vertente da biotecnologia ainda tem muito a nos oferecer e beneficiar, afinal os oceanos ocupam mais de 70% da superfície da Terra. Gostou de saber mais sobre a Biotecnologia Azul?? Acompanhe a LiNA Biotec no Instagram e no Facebook esta semana e traremos mais informações na live do dia 02/06. Não perca!

Autores: Natalia Landskron Saccomori e Micael Mantovani Baruch (Polo UNILA)

Você pode consultar as referências aqui.


Biotecnologia Amarela: A Ciência na Produção de Alimentos

A cor amarela na biotecnologia representa o uso de processos biotecnológicos, como a fermentação, para a produção de alimentos e bebidas. Entre os produtos alimentícios fermentados mais populares no Brasil podemos citar pães, iogurtes, queijos, cervejas e vinhos. Existem ainda produtos como o hidromel e o kombucha que vêm conquistando novos consumidores. Preparamos um quadro ilustrado com as definições de diferentes produtos fermentados e exemplos de empresas que atuam na produção. A biotecnologia no setor alimentício não é restrita à produção tradicional, mas também permite que características nutricionais, sabores e aromas dos alimentos sejam aprimorados ou adicionados por meio de suas técnicas.

            O grande diferencial do profissional em biotecnologia é possuir o conhecimento acerca do uso de ferramentas biológicas para inovação e resolução de problemas. E esse diferencial é um grande aliado na produção industrial de alimentos fermentados. Produzir linhagens de leveduras para atender objetivos industriais específicos é uma possibilidade biotecnológica de amplo potencial de utilização. Uma maneira de realizar isso é através da exploração da biodiversidade natural selecionando, testando e isolando variedades com desempenhos  superiores. Apesar de algumas dessas variedades industriais serem inadequadas para o uso direto na fermentação, suas características podem ser transferidas para cepas industriais.

PRODUTOS DEFINIÇÃOEMPRESAS
PÃES
Os ingredientes básicos na panificação são farinha, água, sal e leveduras. A levedura produz dióxido de carbono, o gás que se forma na fermentação e se prende na rede de glúten, fazendo com que a massa se expanda no forno.Roma Biotec ind. e com. ltda. é especializada na conservação de produtos panificados, contando com profissionais capacitados em biotecnologia e microbiologia.
Lesaffre é uma empresa de referência global no mercado de leveduras e fermentação.

QUEIJOS
Entende-se por queijo o produto fresco ou maturado que se obtém por separação parcial do soro do leite ou leite reconstituído (integral, parcial ou totalmente desnatado), ou de soros lácteos, coagulados pela ação física do coalho, de enzimas específicas, de bactérias específicas, de ácido orgânicos, isolados ou combinados, todos de qualidade apta para uso alimentar, com ou sem agregação de substâncias alimentícias.A Bela Vista Produtos Enzimáticos é uma empresa pioneira na produção de coalho no Brasil. Conta com parcerias sólidas no exterior, atuando em conjunto para o desenvolvimento de Culturas Lácteas adaptadas à realidade brasileira, de excelente qualidade, para produção de queijos e iogurtes.
IOGURTES


Produto cuja fermentação se realiza com cultivos proto-simbióticos de Streptococcus salivarus subsp. thermophilus e Lactobacillus delbrueckii subsp. Bulgaricus aos quais podem acompanhar de forma complementar outras bactérias ácido-lácticas que, por sua atividade, contribuem para a determinação das características do produto acabado.Além da A Bela Vista Produtos Enzimáticos, a Gabbia Biotecnologia atua com foco em no desenvolvimento de ingredientes – culturas microbianas específicas, investindo em inovação e produção biotecnológica associadas a competitividade e qualidade (envolve uma ampla gama de produtos indo além de iogurtes e fermentados).
VINHOS
Vinho é exclusivamente a bebida resultante da fermentação alcoólica completa ou parcial da uva fresca, esmagada ou não, ou do mosto simples ou virgem, com um conteúdo de álcool adquirido mínimo de 7% (V/V a 20° C.)

A Biotec Sul possui uma visão de aprimoramento constante em enologia, biotecnologia e gestão vitivinícola, além de fornecer coadjuvantes de fermentação, clarificação, conservação, afinamento e filtração.
CERVEJAS
Cerveja é a bebida obtida pela fermentação alcoólica do mosto cervejeiro oriundo do malte de cevada e água potável, por ação da levedura, com adição de lúpulo.A LEVTEK Tecnologia viva é uma empresa especialista em leveduras para cervejas, trabalhando também com controle de qualidade, análises laboratoriais, desenvolvimento de produtos e blends, consultorias e cursos.
KOMBUCHA
Trata-se de uma bebida doce fermentada de origem asiática, à base de chá verde e/ou chá preto. Ela é resultado da fermentação de uma associação simbiótica de bactérias (primordialmente por bactérias acéticas) e leveduras, onde se forma uma película chamada SCOBY (Symbiotic Culture of Bacteria and Yeasts), que realizam várias reações bioquímicas durante sua fermentação. A Flyt natural é uma empresa que conta com uma PhD em biotecnologia, apaixonada pelo benefícios dos probióticos. Ao longo de um ano a Flyt desenvolveu seus primeiros produtos, o Kombucha Flyt.
HIDROMEL
O hidromel é uma bebida alcoólica produzida através da fermentação, realizada por leveduras, de uma solução diluída de mel, obtida através da adição de uma quantidade adequada de água.A OldPony é uma hidromelaria brasileira com capacidade e flexibilidade para produção e envase em diversos tipos de embalagens. Tudo isso em uma mesma planta fabril, atuando como referência no mercado.

            A biotecnologia amarela se refere também à técnicas empregadas para o melhoramento genético de alimentos. Você provavelmente já se deparou com frutas sem sementes no supermercado ou na feira. Esse é um belo exemplo de como a biotecnologia age para tornar os alimentos mais viáveis nutricional e economicamente. Para chegar a este resultado, cientistas observam as características em várias espécies, para que assim, após cruzamentos, o resultado desejado seja obtido.

 Os pesquisadores combinam técnica convencional, com a transferência de uma planta para outra, e com modernos recursos de biotecnologia. O melhoramento contorna barreiras que na natureza desfavorecem certos cruzamentos, para fornecer um melhor produto e que também agrade o consumidor.

 Outro exemplo é que nem toda mandioca é branca. O Programa de Melhoramento Genético de Mandioca da Embrapa Mandioca e Fruticultura já conseguiu desenvolver algumas variedades de mandioca de cor amarela e com alto teor de betacaroteno: pigmento que desempenha papel essencial para a visão, assim como para o crescimento e o desenvolvimento de ossos e de pele.

É dessa forma que a biotecnologia amarela vai entrando e melhorando a vida das pessoas.

Autores: Jaqueline Riewe Deifeld (Polo UNIPAMPA) e Pedro das Neves de Oliveira (Polo UFOPa)
Edição: Bruno Pereira (Secretaria de Comunicação da LiNAbiotec)

Consulte as referências aqui.


Pós-Graduações em Biotecnologia (2020)

Pós-graduações-em-Biotecnologia-2020

A equipe de coleta de dados do Polo Administrativo da LiNA Biotec está disponibilizando uma planilha com os cursos de pós-graduação em biotecnologia no Brasil, divididos por região e categorizados quanto à instituição, estado, pós-graduação, e mais. Estão também sendo disponibilizandos e-mails para contato, caso deseje mais informações sobre os cursos. Confira no visualizador acima ou baixe o pdf no link abaixo!

Fonte: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/programa/listaPrograma.jsf?acao=pesquisarRegiaoIesPrograma&codigoIes=22001018


A biotecnologia no combate ao Coronavírus

Em meio a situação atual, decidimos separar algumas noticias que mostram como a biotecnologia e seus profissionais estão ajudando no combate ao Covid-19.

Brasileiros combinam técnicas de biotecnologia para vacina contra Covid-19

No Instituo Butantan em São Paulo, pesquisadores estão combinando técnicas de biotecnologia para formular uma nova vacina contra o Covid-19. A estratégia utilizada tem como objetivo induzir diferentes respostas imunológicas do organismo contra o coronavírus, tendo como inspiração um mecanismo usado por bactérias

“Para essa abordagem, juntamos duas estratégias diferentes que já vínhamos utilizando no desenvolvimento de vacinas contra outras doenças. A nova técnica permite que as formulações contenham uma grande quantidade de um ou mais antígenos do vírus em uma plataforma fortemente adjuvante, induzindo uma resposta imune mais pronunciada”, diz Luciana Cezar Cerqueira Leite, pesquisadora do instituto. O estudo integra uma plataforma de pesquisa que envolve o desenvolvimento de vacinas com base em técnicas desenvolvidas para a BCG recombinante. Muitas vacinas consistem em soluções com o patógeno morto ou atenuado.

São as chamadas vacinas celulares que, ao serem injetadas no indivíduo, têm por objetivo desenvolver a resposta imune contra o microrganismo, como anticorpos específicos e outras células de defesa de modo seguro, sem sofrer as consequências da doença. “As vacinas celulares são formas simples, e com frequência eficazes, de se obter um imunizante, porém, essas abordagens nem sempre funcionam, principalmente para patógenos com grande variabilidade antigênica ou organismos mais complexos, com mecanismos de evasão do sistema imune mais sofisticados”, diz a pesquisadora.

O grupo do Butantan propõe a combinação de duas estratégias para o desenvolvimento de uma vacina acelular. De outro lado, utiliza-se vesículas de membrana externa como matriz suporte dos antígenos, para que a partícula mimetize o vírus. “As vesículas de membrana externa podem modular a resposta imunológica, em geral, aumentando e melhorando a proteção. Muitas vacinas têm o hidróxido de alumínio como principal adjuvante”. 

Para isso, a vacina em desenvolvimento no Butantan usará uma plataforma inovadora de apresentação de antígenos chamada Multiple antigen presenting system, desenvolvida por um colaborador da Universidade Harvard e usada em uma formulação experimental contra o pneumococo. Esse tipo de teste de laboratório é usado para detectar anticorpos contra um determinado patógeno e assim diagnosticar doenças.

Fonte: Revista Galileu

Brasil faz sequenciamento do genoma do Covid-19 em tempo recorde

A pós-doutoranda em biotecnologia Jaqueline Góes de Jesus, sequenciou em tempo recorde o genoma do primeiro caso de coronavírus no Brasil. Para a realização do sequenciamento é necessário submeter o fragmento de DNA ou RNA que se quer analisar a uma sequência de diversos procedimentos. No interior do sequenciador, há proteínas com nanômetros de diâmetro, submetidas a uma corrente elétrica, e é justamente ali dentro que o processo de leitura das bases acontece. Então, para fazer o sequenciamento, é necessário digitalizar pequenos trechos do genoma para que os nucleotídeos possam ser lidos separadamente. Como a quantidade de bases em geral é muito grande, a análise é feita com o auxílio de recursos computacionais de bioinformática.

O genoma do coronavírus foi sequenciado em apenas 48 horas, sendo a média mundial de tempo de 15 dias. Nessa perspectiva, o genoma define as características do vírus, como age e em quais regiões ele afeta como patógeno, comparando suas características é possível traçar os pontos iniciais de contágio e de qual região ele veio, sendo possível, desse modo, trabalhar na produção de medicamentos e vacinas específicas.

Fonte: g1globo.com

 Pesquisa utiliza biotecnologia como aliada para analisar o novo coronavírus

No CEFET-MG em Varginha, um projeto de iniciação científica júnior (BIC-Jr) tem buscado contribuir com avanços no combate ao COVID-19. Desenvolvido pelo pesquisador Wedson Gomes Júnior, doutor em Biotecnologia e pelo estudante do curso Técnico de Informática Integrado Guilherme Carvalho Teodoro, o trabalho pretende analisar computacionalmente as diferenças entre os genomas (informações genéticas) do vírus na China, Itália e Estados Unidos, cujas informações foram depositadas em um banco de dados de genomas internacional (Genbank).

Utilizando a bioinformática como peça fundamental da pesquisa, para ajudar na compreensão e correlação de informações dos genes com informações existentes no banco de dados, esse projeto busca auxiliar no desenvolvimento de vacinas e métodos de diagnóstico específicos para cada região. A pesquisa será realizada em algumas etapas: em um primeiro momento, acontece uma pré-análise do genoma; na sequência, a submissão desse material ao software de bioinformática, onde serão realizados os alinhamentos para verificar a quantidade de semelhanças entre eles; e, finalmente, as sequências serão comparadas com aquelas já conhecidas de outras patologias e vírus.

Com o isolamento social, que restringe as atividades acadêmicas na Instituição, o projeto está na fase inicial, e eles estudam como realizar as análises em computadores domésticos via teleconferência para registrar quais sequências e em quais posições acontecem mutações genéticas que podem ser utilizadas para pesquisas futuras.

Fonte: ANDIFES


Prevenção ao Coronavírus

Prevenção em tempos de Covid-19: a sua melhor arma

O mundo enfrenta um período difícil diante da pandemia causada pelo coronavírus, e pelo fato de ainda não haver uma vacina disponível, a prevenção é a única alternativa no momento para não ser infectado. Confira abaixo medidas recomendadas por especialistas de saúde:

  • Limpeza das mãos:

O vírus causador da COVID-19, o coronavírus Sars-CoV-2, é transmitido por gotículas de saliva, tosse, espirros e contato próximo de pessoas infectadas. A infecção se dá quando o vírus entra em contato com mucosas dos olhos, nariz ou boca. Após as partículas virais serem expelidas por algum portador do vírus, elas podem permanecer nas mãos e no rosto, e em superfícies que tocamos com frequência como corrimões, maçanetas e botões de elevador. Por isso é tão importante a higiene das mãos, já que elas estão sempre em contato com superfícies que podem estar infectadas, e também por levarmos constantemente as mãos ao rosto.

A limpeza das mãos pode ser feita com água e sabão e com álcool líquido ou em gel. São produtos simples, mas que tem grande eficácia contra o coronavírus. Isso porque a estrutura do Sars-CoV-2, bem como da maioria dos vírus, consiste numa camada de lipídeos (gordura) e proteínas que envolve o material genético do vírus. As proteínas que são necessárias para que o vírus infecte nossas células estão imersas nessa camada lipídica externa, e o sabão e o álcool são capazes de quebrar essa estrutura, impedindo então que o vírus seja capaz de nos infectar. Para uma inativação eficaz do vírus as mãos devem ser esfregadas por 20 a 30 segundos, abrangendo toda a superfície das mãos, punhos e debaixo das unhas. Isso deve ser feito tanto com água e sabão quanto com álcool em gel. Vale dizer também que é preferível lavar as mãos com água e sabão se você estiver num ambiente em que eles estejam disponíveis. Reserve o álcool em gel para quando estiver impossibilitado de lavar as mãos propriamente. Além disso, para a limpeza eficaz a porcentagem do álcool em gel deve ser de 70%, nem mais nem menos.

  • Uso de máscaras:

O uso de máscaras tem sido recomendado por autoridades de saúde

para conter a propagação do coronavírus. É recomendado que elas sejam usadas sempre que houver a necessidade de sair de casa ou quando entrar em contato com pessoas fora do seu convívio. O uso de máscaras cirúrgicas e N95 deve ser priorizado para profissionais de saúde, então máscaras caseiras podem ser usadas. Alguns cuidados devem ser tomados, como:

– Colocar a máscara com cuidado, pelo elástico ou amarração, cobrindo olhos e boca. As mãos devem estar limpas;

– Evitar tocar a máscara durante o uso;

– Tirar a máscara com cuidado, puxando pelo elástico e lavando as mãos após a retirada;

– Trocar de máscara se esta ficar úmida;

– Em caso de máscaras caseiras de pano, lavar a máscara com água e sabão e deixar secar ao sol.

  • Limpeza de superfícies e embalagens:

A limpeza de superfícies como maçanetas e corrimões deve ter uma

atenção especial, podendo ser feita com álcool 70%. A limpeza de compras recém-chegadas do supermercado também deve ter uma atenção especial, podendo ser feita com água e sabão.

  • Distanciamento social:

A medida é essencial para diminuir a velocidade da propagação do coronavírus. Deve-se evitar ao máximo sair de casa, reservando-se apenas a idas ao mercado e farmácia por exemplo. Quando houver a necessidade de sair, o uso da máscara é essencial, bem como a manutenção de uma distância de pelo menos 1 metro de outras pessoas. Evite aglomerações! Quando chegar em casa, não entre de sapatos! Higienize objetos     que possa ter usado, como carteira, celular e chaves, além de lavar suas roupas e tomar banho.

Referências:

Coronavirus disease (COVID-19) advice for the public. Disponível em: https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/advice-for-public

Coronavírus COVID-19. O que você precisa saber: https://coronavirus.saude.gov.br/

Autoria: Ana Rebouças – graduanda em biotecnologia pela Universidade de Brasília


Sintomas da Covid-19: o que fazer caso apresente os sintomas?

A Covid-19 vem acometendo inúmeras pessoas e fazendo várias vítimas desde a descoberta do novo coronavírus em dezembro do ano passado. O vírus possui uma alta taxa de transmissão, de uma para três pessoas, sendo altamente contagiosa. Diante deste cenário, órgãos governamentais e a Organização Mundial da Saúde se empenham em fornecer todas as informações necessárias à população a fim de evitar a disseminação da doença.

Diversos sintomas já foram registrados em pessoas que apresentaram teste positivo para o vírus, entretanto deve-se estar mais atento aos principais como febre, tosse seca e fadiga. Além disso, muitos também podem ter congestão nasal, diarréia, dores de cabeça e de garganta. Apesar de 80% dos infectados se recuperar sem tratamento hospitalar, pessoas em grupo de riscos, como portadores de doenças cardíacas, pressão alta, diabetes, câncer e outros problemas médicos podem desenvolver quadros clínicos graves com dificuldades para respirar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, pessoas que apresentam os sintomas de forma branda geralmente fazem parte dos 80% de infectados que se recuperam em casa e, dessa forma não necessitam se dirigir ao hospital. Assim, devem procurar o isolamento domiciliar e monitorar a evolução de seus sintomas. Caso apresente dores no peito ou dificuldade para respirar é necessário procurar ajuda médica urgente. Ao se dirigir à unidade de saúde deve-se vestir máscara, manter um metro de distância das outras pessoas e não tocar em superfícies com as mãos. Caso o indivíduo resida em área onde casos de dengue e malária são recorrentes, é importante não ignorar os sintomas mais brandos. O ministério da saúde também recomenda que pessoas com suspeita de Covid-19 permaneçam em casa por 14 dias. Além disso, caso haja outros moradores na mesma residência, estes devem dormir em quartos separados, manter um metro de distância da pessoa doente e os móveis devem ser frequentemente limpos com álcool 70%. Os outros residentes também devem ficar atento aos sintomas e caso haja suspeita ou teste positivo para a doença, o período de 14 dias deve ser renovado para todos os moradores.

Referências:

World Health Organization. Q&A on coronaviruses (COVID-19). Disponível em: https://www.who.int/news-room/q-a-detail/q-a-coronaviruses#:~:text=symptoms. Acesso em: 28 abr. 2020

Ministério da Saúde. Sobre a doença. Disponível em: https://coronavirus.saude.gov.br/sobre-a-doenca. Acesso em: 28 abr. 2020.

Texto produzido por Hiago Leão Ferreira graduando em Biotecnologia na UFBA Campus Vitória da Conquista


Atuação da SARS-CoV-2 no organismo humano

O caos vivenciado pela humanidade no momento atual (abril-2020) envolve os mais simples organismos identificados no Planeta Terra: os vírus. Aspectos básicos relacionados à estes seres são essenciais para compreender como o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2) atua no organismo humano. A simplicidade dos vírus é evidenciada pela ausência de uma maquinaria celular capaz de efetuar a replicação do seu material genético. Essa ausência torna os vírus dependentes de uma célula hospedeira para a produção de proteínas e multiplicação. Este texto pretende mostrar ao leitor como o COVID-19 infecta as células humanas e ocasiona a doença.

No geral, a estrutura dos vírus inclui o genoma envolto por uma camada de cópias de proteínas. Esta camada de células denomina-se capsídeo, e o conjunto do núcleo mais o capsídeo é denominada nucleocapsídeo. Muitos vírus possuem ainda uma membrana externa derivada da célula hospedeira chamada de envelope viral composta por glicoproteínas, onde podem existir projeções conhecidas como espículas. O SARS CoV 2 apresenta como material genético RNA de fita simples e senso positivo. Existem quatro proteínas estruturais principais codificadas pelo vírus: proteínas do nucleocapsídeo, de membrana, do envelope e das espículas, chamada de proteína Spike (S). A proteína S do envelope viral é relatada por desempenhar um papel importante na entrada do vírus nas células. Trata-se de uma proteína de fusão que reconhece a enzima conversora de Angiotensina 2 como receptor para infectar os pneumócitos tipo II, que são células presentes nas vias respiratórias, responsáveis pela produção do surfactante pulmonar.

A Partir da infecção de uma célula hospedeira, o vírus passa a utilizar sua maquinaria para se replicar.  As vesículas que contêm as cópias do vírus se fundem com a membrana plasmática da célula hospedeira e ocorre a liberação dessas partículas virais que passam a infectar outras células. O tempo entre o início da infecção das primeiras células até manifestaçõe clínicas é denominado período de incubação. Esse período pode variar de 1 à 14 dias, porém ocorre com maior frequência próximo ao quinto dia após a infecção. As manifestações clínicas podem ser leves, moderadas ou graves. As manifestações leves da doença incluem apenas os sintomas de infecção viral do trato respiratório superior que incluem febre, tosse (seca), dor de garganta, congestão nasal, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular. As manifestações moderadas envolvem também a presença de tosse e falta de ar. Entre as manifestações mais graves estão: a pneumonia grave, a Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo, e a sepse.  

MANIFESTAÇÃO GRAVE DA DOENÇA QUADRO CLÍNICO
    Pneumonia grave A febre está associada a dispnéia grave, dificuldade respiratória, taquipnéia (> 30 respirações / min) e hipóxia (SpO2 <90% no ar ambiente). No entanto, o sintoma da febre deve ser interpretado com cuidado, pois mesmo em formas graves da doença, pode ser moderado ou até ausente.
                  Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo O diagnóstico requer critérios clínicos e ventilatórios. Essa síndrome é sugestiva de uma grave insuficiência respiratória de início recente ou de agravamento de um quadro respiratório já identificado. Diferentes formas de SDRA são distinguidas com base no grau de hipóxia. O parâmetro de referência é PaO2 / FiO2: SDRA leve: 200 mmHg <PaO2 / FiO2 ≤ 300 mmHg. Em pacientes não ventilados ou naqueles tratados com ventilação não invasiva (VNI), usando pressão expiratória final positiva (PEEP) ou pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) ≥ 5 cmH2O. SDRA moderada: 100 mmHg <PaO2 / FiO2 ≤ 200 mmHg. SDRA grave: PaO2 / FiO2 ≤ 100 mmHg.    
Sepse  A Sepse representa uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção suspeita ou comprovada. Os quadros clínicos de pacientes com COVID-19 e sepse são particularmente graves, caracterizados por uma ampla gama de sinais e sintomas de envolvimento de múltiplos órgãos.

 Referência: Cascella, Marco, et al. “Features, evaluation and treatment coronavirus (COVID-19).” StatPearls [Internet]. StatPearls Publishing, 2020.

A patogenicidade do vírus associada à pneumonia aparenta complexidade. Dados existentes sugerem que a infecção viral gera uma reação imune em excesso no organismo hospedeiro. Sabe-se que respostas do sistema imunológico contra agentes infecciosos são essenciais à defesa do organismo. Entretanto, diversos estudos apontam que em algumas infecções a principal causa de patologias está mais relacionada com a ativação de respostas imunes atípicas  do que por ações diretas do agente infeccioso. Essas respostas imunes excessivas na infecção por COVID-19 referem-se à “tempestades de citocinas”. O papel desempenhado pelas citocinas é levar respostas anti inflamatórias para regiões lesionadas. Se essas citocinas são produzidas em demasia, o corpo produz um excesso de
resposta anti inflamatória. Essa tempestade de citocinas aliada aliada à disfunção respiratória e insuficiência de oxigênio no sangue causada pelo vírus originam danos nas células do miocárdio.

            Estudos e análises de quadros clínicos distintos de pacientes com COVID-19 com problemas de saúde preexistentes tem ajudado e fornecido novos insights para o tratamento. Neste momento é importante buscarmos e compartilharmos informações em fontes confiáveis e fazermos a nossa parte cumprindo de forma adequada as recomendações da Organização Mundial da Saúde para que o vírus possa agir em um menor número de corpos e a vitória contra essa batalha venha o quanto antes.

Texto produzido por Jaqueline Riewe Deifeld, graduanda em Biotecnologia na Universidade Federal do Pampa.


Tudo o que sabemos sobre o Coronavírus

COVID-19 ou mais conhecido como Coronavírus, quem diria que algo invisível a olho nu seria capaz de se tornar o centro das atenções em todo o mundo? E mais ainda, quem diria que o mundo pararia em pleno 2020?

Pois é, a vida é uma caixa de surpresa, não é mesmo?!

Afinal, o que é o Coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo membro dessa família é o COVID-19, ele causa uma infecção pulmonar grave podendo levar a morte. Os sintomas do COVID-19 são tosse, febre, cansaço e em casos graves, dificuldade para respirar.

Segundo o Ministério da Saúde, foi em 1937 que os primeiros coronavírus humanos foram identificados. No entanto, somente em 1965, quase 30 anos depois, que o vírus foi descrito como Coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, ou seja, sua aparência, sendo semelhante a uma coroa.

Você deve se estar se perguntando: Por quê eu tenho que estar de quarentena? Na minha cidade não teve casos.

Inicialmente acreditava-se que apenas entrando em contato com pessoas que viajaram para locais onde a doença estava se espalhando é que seríamos infectados com o vírus, mas isso logo foi anulado quando cientistas começaram a verificar que ao passar dos dias o vírus estava sofrendo mutações, ou seja, ele estava mudando sua carga e se adaptando a novos ambientes.

As formas de transmissão hoje são contato físico com pessoas contaminadas, espirros, tosses, saliva e até contato com objetos contaminados como celulares e maçanetas.

Objetos contaminados? Como assim?

Isso mesmo, o vírus também pode ser transmitido por meio de superfícies. Em algumas superfícies o Covid-19 pode infectar em até 3 dias. Veja nesse exemplo abaixo, quanto tempo depois de entrar em contato o vírus consegue contaminar a partir de um objeto. 

E o que devo usar para limpar as coisas então?

Além de utilizar água e sabão para lavar as mãos e objetos, deve-se utilizar também álcool a 70%, lembrando que tem o que é para pele e o que é para superfícies, água sanitária e detergentes.

Quais são os exames feitos para a detecção?

Os principais exames para diagnóstico do Coronavírus são os RT-PCR, que utilizam a biologia molecular. Nele, uma amostra de secreção nasal e da garganta do paciente é levada ao laboratório para uma busca minuciosa pelo material genético do Covid-19. Apesar de confiável, é relativamente caro e demorado.

Outro método utilizado é os testes rápidos, que também utiliza secreção nasal e de garganta ou sangue. Nele é medido a quantidade de dois anticorpos (o IgM e o IgG) que são produzidos pelo organismo quando entra em contato com o vírus. É barato de se fazer, mas em compensação sua confiabilidade é baixa pois, preciso que haja uma quantidade mínima dessas moléculas circulando para se ter o resultado.

Tem tratamento?

Ainda não existe tratamento específico para as infecções causadas pelo Coronavírus.

A medicação prescrita vai depender do estado do paciente, ela servirá para aliviar os sintomas. Em casos mais graves, pacientes são hospitalizados e a depender, enviados para Unidade de Terapia Intensiva(UTI).

Cientistas de todo o mundo estão em busca de medicações e vacinas para tratar e prevenir as infecções causada pelo Coronavírus.

A melhor forma de prevenção atualmente contra o COVID-19 é o isolamento social, a forma de profilaxia mais adotada no mundo até ocorrer o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus.

#Ficaemcasa

#Fiquebem

Autoria: Polo UFPB


Diferenças entre SARS-cov-1, MERS-cov- e SARS-cov-2

É comum ouvirmos nas mídias o vírus que causou a atual pandemia que enfrentamos sendo chamado de coronavírus, entretanto, na verdade, esse é o nome de uma família de vírus que causam doenças respiratórias que podem ser graves ou não. Essas infecções que, normalmente acometem animais, também afetam humanos, e dentre essas temos três que destacaram-se devido aos surtos graves que causaram, uma delas é a que estamos vivenciando. Mas você conhece e sabe as diferenças entre elas?
Temos a MERS-cov que originou-se próximo ao Oriente Médio, com casos em Jordânia, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. Em todo o mundo foram notificados cerca de 2500 casos com pelo menos 850 mortes em 27 países. O MERS-cov pode ser transmitido de pessoa para pessoa por contato direto ou aerossóis. Alguns sintomas como febre, calafrios, mialgias e tosse são comuns. A maioria dos casos relatados foi de doença respiratória grave exigindo hospitalização, com letalidade cerca de 36%, mas pelo menos 21% dos pacientes tiveram sintomas leves ou assintomáticos.
Já o SARS-cov originou-se na China em 2002, na província de Guangdong. Essa epidemia afetou mais de 30 países e registrou mais de 100.000 casos, com 3.411 mortes. Recentemente surgiu o SARS-cov-2 e é importante destacar que muitas pessoas defendem a teoria de que o vírus foi criado em laboratório pelos chineses, mas uma pesquisa publicada na Nature Medicine desmente essa ideia, já que em sua estrutura é encontrada o modelo de proteína spike que faz com que ele seja muito mais eficaz em penetrar as células e o seu genoma que foi sequenciado é diferente dos outros tipos de coronavírus. A transmissão e os sintomas do SARS-cov e do SARS-cov-2 são bastantes parecidos. A transmissão de ambos ocorre pelo contato com secreções contaminadas, principalmente pelo contato com grandes gotículas respiratórias, mas pode ocorrer também através de superfícies contaminadas. Diferente do MERS-cov, os sintomas das SARS são dificuldades respiratórias leves e moderadas. A prevenção para os três coronavírus é semelhante. A recomendação é o isolamento social sendo do grupo de risco ou não e sempre manter a maior higienização possível.


Nota de esclarecimento acerca da Portaria Nº 639

No dia 02 de abril de 2020 a Liga Nacional dos Acadêmicos em Biotecnologia tomou conhecimento da Portaria Nº 639, de 31 de março de 2020, publicada no Diário Oficial da União, a qual dispõe sobre a Ação Estratégica “O Brasil Conta Comigo – Profissionais da Saúde”, voltada à capacitação e ao cadastramento de profissionais da área de saúde para o enfrentamento à pandemia do coronavírus (COVID-19). Logo em seguida, houve uma considerável movimentação dos estudantes e profissionais em Biotecnologia, visto que não havia menções à Biotecnologia no texto, e, dentre essas movimentações, houve a solicitação de um parecer da LiNA acerca dos eventos ocorridos.

Primeiramente, gostaríamos de lembrar a todos que, conforme dito pelo Ministro da Saúde, este primeiro momento não é uma convocação para entrar em ação, mas para a preparação da força de trabalho caso necessário seja no combate à pandemia do coronavírus (COVID-19).

A portaria não especifica o tipo de preparação e áreas de atuação que os profissionais terão. E, uma vez cadastrados e preparados, a qualquer momento os profissionais poderão ser chamados para deslocarem-se a outras cidades e estados.

Também é importante pontuar que a Portaria Nº 639 do Ministério da Saúde é direcionada especificamente aos profissionais da saúde (categorizados pela Resolução Nº 287 de 08 de Outubro de 1998 do Conselho Nacional de Saúde). E que muito embora profissionais biotecnologistas, em sua formação, recebam capacitação profissional para atuar em algumas áreas da saúde, os mesmos, no geral, não recebem formação clínica hospitalar e, assim sendo, a portaria não os contemplaria de imediato. Obviamente, existem exceções. Alguns cursos de Biotecnologia que a LiNA representa possuem de fato formação clínica inserida nos seus currículos e, desta maneira, estariam habilitados para trabalhar no enfrentamento direto ao COVID-19 em hospitais e centros de cuidado médico.
Contudo, o profissional biotecnologista é plenamente capaz de exercer atividades de diagnóstico e pesquisa contra o COVID-19, devido, entre outras coisas, à sua extensa formação prática/laboratorial e teórica fornecida pelos cursos de graduação. Observamos que biotecnologistas demonstraram disposição e interesse em atuar ativamente em prol do bem estar da nação e contra a onda crescente de casos do novo coronavírus (COVID-19), embora impossibilitados de atuar pelos entraves administrativos e legais. Não houve a inclusão do profissional biotecnologista pelo Ministério da Saúde nesta Portaria, apesar de o atual ministro, Luiz Henrique Mandetta, ter conhecimento da existência do profissional, devido à Resolução Nº 287/1998 supracitada. Enquanto deputado, Mandetta foi o autor do Requerimento de Audiência Pública n. 710/2018, que levou à audiência do dia 13 de junho de 2018, na qual a LiNAbiotec defendeu seu antigo PL, o Nº 3.747/2015. Sobre esse projeto de lei, inclusive, o atual Ministro da Saúde recebeu também um documento redigido pela LiNA, explicando o impacto socioeconômico da Biotecnologia e o porquê de ser necessária sua regulamentação. O projeto 3.747/2015 foi arquivado em 2019, porém a LiNAbiotec conseguiu que um novo projeto de regulamentação, PL N° 3.762/2019, fosse submetido à tramitação. Porém, o projeto encontra-se parado na Comissão de Seguridade Social e Família há alguns meses.

Nesses momentos é que podemos ver claramente a necessidade da regulamentação da nossa profissão, estabelecendo e especificando as atribuições e campos de atuação do profissional biotecnologista. Urge igualmente a criação dos Conselhos Federais e Regionais de Biotecnologia, que nessa situação e em várias outras poderiam fornecer apoio à classe profissional que apenas uma Autarquia Federal poderia proporcionar.
É importante ressaltar também que os profissionais biotecnologistas, que por força de processo judicial e por outros métodos venham a estar registrados nos Conselhos Profissionais da Biologia, são contemplados pela Portaria Nº 639.

Aproveitamos para ressaltar que a movimentação social é de suma importância para a regulamentação da profissão e consolidação do profissional ante o mercado e as instâncias nacionais. A LiNA tem buscado manter-se sempre aberta a discussões com o Corpo Social, tanto pelos canais de comunicação da instituição, quanto pelas instâncias representativas ao redor do Brasil. Além da participação do Corpo Social, outras iniciativas de representação, como a ABRA Biotec por exemplo, que tem por objetivo tornar-se a Associação Brasileira dos Profissionais Biotecnologistas e seria de grande auxílio na luta pela identidade do profissional nesse momento, precisam ser ouvidas e apoiadas. Ficamos felizes em ver o interesse e engajamento crescente dos estudantes e profissionais de Biotecnologia em prol da consolidação e regulamentação da profissão e acreditamos que, com planejamento e apoio de todos, esse objetivo estará ainda mais próximo de ser alcançado.

Vamos juntos, por uma Biotecnologia unida forte e atuante!